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Orcas podem estar 'brincando' com barcos e até levando presentes para tripulantes

Novo estudo levanta uma hipótese surpreendente para explicar por que orcas ibéricas perseguem embarcações, atingem lemes e, em alguns casos, parecem interagir de forma lúdica com os tripulantes

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O comportamento de orcas que se aproximam de barcos e atingem seus lemes intriga pesquisadores há anos. Agora, um novo estudo propõe uma explicação curiosa: em vez de simplesmente atacar as embarcações, os animais podem estar interessados nos efeitos provocados por suas próprias ações e até encarar essas interações como uma espécie de brincadeira.

O fenômeno ganhou força a partir de 2020, principalmente entre a população de orcas ibéricas, que vive nas águas próximas à Península Ibérica. Os animais passaram a interagir repetidamente com veleiros, muitas vezes concentrando a ação nos lemes e provocando danos que podem deixar as embarcações sem condições de navegação.

O novo trabalho, publicado na revista científica Animal Cognition, não afirma que as orcas definitivamente estejam brincando. A pesquisa apresenta uma interpretação adicional para um comportamento que ainda não tem uma causa completamente esclarecida.

O que as orcas podem estar procurando?

Segundo a hipótese apresentada pelo pesquisador Christian Frings, da Universidade de Trier, na Alemanha, as orcas podem estar interessadas não apenas no barco em si, mas nas consequências de suas ações.

Ao atingir o leme, por exemplo, o animal pode perceber alterações na resistência, nas vibrações e no movimento da embarcação. Essas mudanças poderiam estimular a orca a repetir o comportamento ou modificá-lo para observar novos efeitos.

A ideia amplia explicações anteriores, que incluem curiosidade, brincadeira, resposta a estímulos humanos e até a transmissão social de um comportamento entre as próprias orcas.

Comportamento parece ser mais comum entre animais jovens

Outro estudo publicado em 2026 analisou sete encontros entre orcas ibéricas e uma embarcação de pesquisa no litoral sul de Portugal. Foram identificados 26 indivíduos, dos quais oito tiveram contato direto com o barco. A maioria era formada por animais jovens.

Os pesquisadores registraram comportamentos variados, desde sinais de curiosidade até ações consideradas mais agressivas. Em alguns encontros, as orcas chegaram a bater ou empurrar a embarcação. O estudo também identificou situações de alimentação durante os encontros e encontrou indícios de que o comportamento pode continuar se espalhando por aprendizagem social.

E os supostos 'presentes'?

Relatos de encontros também chamam atenção por situações em que as orcas parecem apresentar objetos ou alimentos aos humanos. Em alguns registros, os animais foram observados levando pedaços de peixe, incluindo atum, para perto das embarcações.

Há ainda comportamentos que podem ser interpretados como sinais de interação social, como aproximar-se de maneira menos agressiva e mostrar a parte inferior do corpo. Isso reforça a possibilidade de que, pelo menos em algumas situações, os encontros não tenham como objetivo atacar os seres humanos.

Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que o comportamento continua sendo potencialmente perigoso. Mesmo que as orcas estejam apenas explorando ou brincando, seus movimentos podem causar danos significativos aos barcos e colocar pessoas em risco.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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