Seu gato pode estar sentindo dor sem demonstrar: veja os sinais que merecem atenção
Mudanças discretas no comportamento, na higiene e até nas expressões faciais podem indicar que o gato está com dor, mesmo quando continua comendo e mantendo a rotina

Os gatos são conhecidos por sua independência, mas essa característica também pode dificultar a identificação de problemas de saúde. Mesmo quando estão sentindo dor, eles podem continuar comendo, andando pela casa e até pulando no sofá normalmente. Segundo especialistas em veterinária, isso acontece porque os felinos costumam esconder sinais de fraqueza.
De acordo com o veterinário Victor Algra, citado pelo site de notícias Infobae, os gatos conseguem disfarçar o desconforto com mais eficiência do que os cães. Esse comportamento estaria relacionado ao instinto de sobrevivência herdado de seus ancestrais selvagens, para os quais demonstrar fraqueza poderia representar um risco.
Por isso, pequenas mudanças na rotina podem ser importantes para perceber que algo não está bem.
Mudanças de comportamento podem ser os primeiros sinais
Um dos principais indícios de que um gato pode estar sentindo dor é uma mudança na forma como ele se relaciona com as pessoas. O animal pode ficar menos sociável, evitar carinhos, esconder-se com mais frequência ou até reagir com bufadas e arranhões quando determinada região do corpo é tocada.
Alterações nos hábitos de higiene também merecem atenção. Fazer as necessidades fora da caixa de areia, visitar o local com frequência incomum ou deixar de se limpar adequadamente, fazendo com que o pelo fique mais oleoso, podem indicar algum problema.
A redução da atividade física é outro sinal que não deve ser ignorado. Em alguns casos, o tutor pode interpretar a mudança simplesmente como consequência do envelhecimento, quando, na realidade, o animal pode estar convivendo com algum tipo de dor.
Dor aguda e dor crônica apresentam diferenças
Os especialistas também diferenciam a dor aguda da crônica. A primeira costuma aparecer de maneira repentina, podendo estar relacionada a acidentes, cirurgias ou infecções. Nesses casos, o gato pode ficar agitado, procurar lugares para se esconder e, em algumas situações, vocalizar de forma mais intensa.
Já a dor crônica se desenvolve gradualmente. Problemas como artrite e doenças dentárias podem fazer com que o animal diminua suas atividades e deixe de subir ou saltar como fazia anteriormente.
As doenças dentárias estão entre as causas frequentes de dor crônica em gatos adultos. Segundo o conteúdo publicado pelo Infobae, muitos animais entre três e cinco anos já podem apresentar problemas bucais, mesmo continuando a se alimentar normalmente.
Caso o gato deixe completamente de comer por mais de 24 horas, a situação é considerada uma emergência veterinária.
Até o rosto do gato pode revelar que existe dor
Para ajudar na identificação do desconforto, pesquisadores da Universidade de Montreal desenvolveram a Escala de Expressões Faciais Felinas, conhecida pela sigla FGS. A ferramenta foi criada para identificar alterações muito discretas no rosto dos gatos.
A escala observa cinco regiões ou movimentos faciais. Entre eles estão a posição das orelhas, o estreitamento dos olhos, a tensão do focinho, a posição dos bigodes e a altura em que o animal mantém a cabeça.
Quando está relaxado, por exemplo, o gato tende a manter as orelhas voltadas para a frente. Na presença de dor, elas podem ficar mais afastadas e voltadas para os lados. Os olhos também podem permanecer mais fechados, enquanto os bigodes ficam mais retos e direcionados para a frente.
A escala atribui uma pontuação de zero a dois para cada uma das cinco características. Um resultado de quatro pontos ou mais, em um total possível de dez, indica a necessidade de avaliação e possível analgesia de resgate.
Vídeos podem ajudar o veterinário
Como os sinais de dor nem sempre são evidentes durante uma consulta, os especialistas recomendam que os tutores registrem em vídeo alguns minutos do comportamento do gato quando perceberem algo diferente. O material pode ajudar o veterinário a observar comportamentos que talvez não apareçam no consultório.
Também é importante evitar a automedicação. Analgésicos destinados a seres humanos podem ser perigosos para os gatos. O paracetamol, especificamente, é considerado tóxico para esses animais.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



