Meu cachorro está lambendo feridas; entenda comportamento e saiba como agir
Apesar de saliva canina ter enzimas com ação bactericida, ela não é suficiente para garantir uma cicatrização segura

Tutores de cachorros com certeza já se preocuparam ao vê-los lambendo feridas. Esse comportamento é frequentemente interpretado como um gesto de carinho ou uma tentativa de "limpar" o machucado, mas ele está mais relacionado a instintos naturais de proteção e alívio do desconforto.
Na natureza, a lambedura pode até ter um papel na remoção de sujeiras, mas em ambientes domésticos, ela funciona mais como uma resposta ao desconforto causado pelo machucado e tende a trazer mais riscos do que benefícios.
Por isso, os tutores precisam saber como agir para impedir que o animal lamba suas próprias feridas ou as de outros.
Riscos associados à lambedura
Permitir que o cão lamba feridas pode resultar em complicações, como:
- Infecções bacterianas devido à introdução de microrganismos presentes na saliva;
- Atraso na cicatrização por remoção constante do tecido em regeneração;
- Abertura de pontos em casos de cirurgias recentes (leia mais abaixo);
- Desenvolvimento de dermatite por lambedura, uma inflamação causada pela lambedura excessiva (leia mais abaixo).
A médica-veterinária Karen Brawerman, na plataforma Vida de Bicho, recomenda o uso de colares elizabetanos, curativos especiais ou roupas cirúrgicas para evitar que o cão tenha acesso à ferida.
Além disso, é fundamental garantir que o ambiente do animal seja tranquilo e confortável para reduzir o estresse que pode levar à lambedura compulsiva.
Como mencionado acima, há riscos de o cão abrir pontos cirúrgicos ou desenvolver dermatite por lambedura.
Nesses casos, a recomendação é buscar atendimento veterinário imediato. O profissional é quem indicará adequadamente o uso de colares elizabetanos ou roupas cirúrgicas para impedir o acesso à área lesionada.
O especialista também poderá prescrever como fazer a limpeza adequada, os antibióticos ou anti-inflamatórios para controlar infecções e inflamações secundárias.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



