Envenenamento de animais é uma forma grave de maus-tratos; saiba o que fazer
Atendimento rápido, preservação de provas e denúncia formal são os principais passos para proteger o animal e garantir que o agressor responda judicialmente

Casos de envenenamento intencional de cães e gatos continuam sendo registrados em diferentes regiões do país e muitos tutores não sabem como agir diante da suspeita, quais provas reunir e de que forma buscar responsabilização de quem cometeu o crime. Além do risco imediato à vida do pet, especialistas alertam que esse tipo de violência tem consequências legais.
Os sinais clínicos costumam surgir rapidamente. A médica-veterinária Yasmin Harumi Côrrea, alerta que “sintomas como salivação intensa, vômitos, tremores, convulsões ou dificuldade respiratória indicam possível intoxicação e exigem atendimento veterinário imediato”. Ela reforça que o tutor não deve medicar o animal por conta própria, pois há risco de agravar o quadro.
Do ponto de vista jurídico, o advogado Tiago Rechinelli Vieira de Paula, explica que o envenenamento se enquadra como maus-tratos mesmo quando o animal sobrevive. Segundo ele, “é possível buscar orientação jurídica para identificar o responsável e pedir reparação pelos danos, inclusive com indenização na esfera civil”.
A punição está prevista na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), com alteração da Lei nº 14.064/2020, conhecida como Lei Sansão. A legislação estabelece pena de dois a cinco anos de prisão, multa e proibição de guarda para quem maltrata cães e gatos, sanções que podem ser aplicadas também em casos de envenenamento intencional.
A Itatiaia listou o que fazer diante de uma suspeita de envenenamento:
- Procurar atendimento veterinário imediato
- Não medicar o animal sem orientação profissional, para evitar agravamento do quadro
- Reunir provas materiais, como laudos, fotos e possíveis substâncias tóxicas
- Registrar ocorrência para permitir responsabilização penal e civil
- Solicitar exames toxicológicos e perícia veterinária, fundamentais segundo estudos de medicina veterinária legal
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



