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As araras realmente conversam com pessoas? Saiba o que diz a Ciência

Capacidade de aprendizagem faz com que araras associem palavras a pessoas, objetos e situações, mas isso não significa que elas compreendam a linguagem como os seres humanos

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Quem convive com uma arara pode ter a impressão de estar diante de um animal capaz de conversar. Algumas aves repetem palavras, chamam pessoas pelo nome e até parecem responder ao que é dito. Mas o que realmente acontece no cérebro delas quando reproduzem sons humanos?

Araras, papagaios, periquitos e cacatuas pertencem ao grupo dos psitacídeos, conhecido pela grande capacidade de aprendizagem, memória e associação. Essas aves conseguem relacionar determinadas vocalizações a pessoas, objetos, cores, formas, quantidades e situações. Isso, porém, não significa que compreendam a linguagem da mesma maneira que uma pessoa.

Segundo a bióloga e mestre em Botânica Joana Corbellini, em entrevista à CNN Brasil, não existem evidências de que uma arara tenha consciência da própria identidade nos mesmos moldes da consciência humana. Assim, quando uma ave parece corrigir alguém que a chama de “papagaio”, por exemplo, o comportamento pode estar relacionado à capacidade de associar determinadas palavras a situações específicas.

Como as araras conseguem imitar a fala humana?

A estrutura responsável pela produção dos sons também ajuda a explicar essa habilidade. Enquanto os seres humanos utilizam principalmente as pregas vocais para produzir a voz, as aves contam com a siringe, localizada na região em que a traqueia se divide em dois brônquios.

Nos psitacídeos, movimentos precisos do bico, da língua e de outras estruturas envolvidas na vocalização permitem modificar os sons. Com isso, essas aves conseguem reproduzir padrões semelhantes aos da fala humana, incluindo ritmo e diferentes frequências.

A habilidade também está ligada à vida social das araras. Na natureza, elas utilizam vocalizações para manter contato e interagir com outros indivíduos. Quando vivem próximas de pessoas, os seres humanos podem passar a fazer parte desse grupo social.

Dessa forma, a ave pode aprender que determinados sons provocam respostas específicas. Dizer “oi” quando alguém chega, chamar uma determinada pessoa ou repetir uma palavra que costuma gerar atenção são exemplos desse tipo de associação.

Araras não estão necessariamente 'falando' como humanos

O fato de uma arara repetir palavras ou parecer responder a uma pessoa não significa que ela esteja compreendendo a linguagem da mesma forma que um ser humano.

A capacidade de estabelecer associações é justamente um dos aspectos que tornam essas aves tão fascinantes. Ao mesmo tempo, esse comportamento reforça a necessidade de compreender as características da espécie antes de considerar sua criação em ambiente doméstico.

Araras são animais silvestres, altamente sociais, longevos e cognitivamente complexos. Elas precisam de espaço para se movimentar, interação social, estímulos cognitivos, enriquecimento ambiental e alimentação adequada.

Quando vivem em ambientes pouco estimulantes, passam por confinamento prolongado ou não recebem interação suficiente, podem apresentar alterações comportamentais, como agressividade e vocalização excessiva. Também podem arrancar as próprias penas, comportamento que pode ter diferentes causas e exige avaliação veterinária.

Vale lembrar que, no Brasil, a captura de animais silvestres diretamente da natureza para mantê-los como animais de estimação é proibida, exceto nas situações previstas pela legislação. Em casos de aquisição legal, é necessário verificar a procedência do animal e toda a documentação exigida.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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