Animais que mudam de cor: a impressionante estratégia de sobrevivência na natureza
De aves que ficam brancas no inverno a polvos que mudam de aparência em segundos, animais desenvolveram diferentes formas de alterar suas cores para se esconder, caçar, disputar território e até atrair parceiros

Na natureza, mudar de cor pode ser muito mais do que uma questão de aparência. Para algumas espécies, essa capacidade é uma ferramenta essencial de sobrevivência, usada para escapar de predadores, surpreender presas, disputar território e até conquistar parceiros.
Um levantamento divulgado pela National Geographic, com base em estudos científicos e na avaliação de especialistas, mostra que essas transformações podem acontecer em diferentes velocidades. Em algumas espécies, o processo leva semanas ou acompanha as mudanças das estações. Em outras, ocorre em poucos segundos.
Mudanças que acompanham as estações
Entre os exemplos mais conhecidos estão o lagópode-branco (Lagopus muta) e o arminho (Mustela erminea). Durante o verão, essas espécies apresentam coloração mais escura. Com a chegada do inverno, desenvolvem plumagem ou pelagem branca.
No caso do lagópode-branco, a mudança ajuda a ave a se esconder em paisagens cobertas de neve e escapar de predadores. Para o arminho, o pelo branco também funciona como uma vantagem, mas principalmente para se aproximar de suas próprias presas sem ser percebido.
Mais de 20 espécies de aves e mamíferos do hemisfério norte apresentam transformações semelhantes. Essas mudanças são influenciadas por sinais hormonais relacionados à duração dos dias e das noites.
A capacidade de alterar a aparência também aparece em animais que vivem em ambientes completamente diferentes.
Camarões-camaleão, por exemplo, podem alternar entre tons verdes e vermelhos de acordo com a predominância de algas nas poças de maré onde vivem. Já as aranhas-caranguejo do gênero Misumena conseguem mudar de coloração ao passar de flores brancas para amarelas, embora o processo possa levar vários dias.
Camaleões mudam de cor em menos de 30 segundos
Quando o assunto é velocidade, os camaleões estão entre os animais mais impressionantes. Algumas espécies conseguem modificar suas cores em menos de 30 segundos.
Para isso, contam com células especializadas na pele. Os cromatóforos dérmicos armazenam pigmentos, enquanto os iridóforos possuem cristais que refletem a luz de diferentes maneiras.
“Pode-se pensar nessas estruturas como as rodovias por onde os pigmentos se deslocam”, explicou o biólogo Russell Ligon, da Universidade Cornell, em declaração reproduzida pela National Geographic.
A mudança de cor, porém, nem sempre tem como objetivo esconder o animal. Nos camaleões-velados (Chamaeleo calyptratus), por exemplo, os machos podem escurecer o corpo para demonstrar submissão ou intensificar determinadas cores para indicar agressividade durante disputas territoriais.
Outros animais também utilizam mudanças rápidas de aparência. Cangrejos-violinistas australianos intensificam seus padrões azuis durante o cortejo ou quando estão sob estresse. Já pequenos peixes conhecidos como gobídeos conseguem clarear ou escurecer em menos de um minuto, ajudando-os a se confundir com as rochas de áreas entre marés.
Polvos e lulas são ainda mais rápidos
Os verdadeiros campeões da mudança de cor estão entre os cefalópodes, grupo que inclui polvos, lulas e sépias.
Esses animais conseguem controlar diretamente seus cromatóforos por meio do sistema nervoso central. Isso permite modificar não apenas a distribuição dos pigmentos, mas também a própria forma das células.
O resultado pode ser extremamente rápido. As lulas-de-Humboldt (Dosidicus gigas), por exemplo, conseguem fazer toda a superfície do corpo alternar entre tons de vermelho-claro e vermelho-intenso até quatro vezes por segundo.
Outro caso impressionante é o do peixe-camaleão (Hoplopagrus guntheri), que pode passar do azul-esverdeado para o vermelho em aproximadamente meio segundo. Nesse caso, a transformação está relacionada à ação da adrenalina sobre os iridóforos.
Até um pequeno besouro consegue mudar de aparência
O escaravelho-tartaruga-dourado (Charidotella sexpunctata), um pequeno inseto encontrado na América Central e que tem aproximadamente o tamanho de uma borracha de lápis, também possui uma estratégia incomum.
Seu casco transparente apresenta várias camadas de placas microscópicas. Quando essas estruturas ficam preenchidas por um fluido avermelhado, formam uma superfície uniforme e reflexiva, dando ao animal uma aparência metálica dourada.
Quando o inseto se agita ou entra no período reprodutivo, o líquido é drenado rapidamente. Com isso, sua aparência muda e o casco passa a apresentar uma coloração vermelha intensa.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



