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Saiba tudo sobre alimentação pós-parto

Episódio da série NutriAção desvenda mitos em torno da alimentação no puerpério

Alimentação equilibrada e boa hidratação devem fazer parte da rotina
Alimentação equilibrada e boa hidratação devem fazer parte da rotina • GENMUCA-UFOP

vamos abordar o tema alimentação no pós parto.

             O puerpério, período que ocorre logo após o parto. Na linguagem popular é conhecido como o período do resguardo, pós-parto, dieta, quarentena, durando cerca de quarenta dias e é repleto de grande significação cultural

            Nesse período, muitos mitos cercam a mãe que amamenta, fazendo-as obedecer um regime alimentar severo, com intuito de estabelecer a recuperação da mãe e a qualidade do leite para a criança. Canja de galinha, canjica, cerveja preta e outros alimentos são usualmente apontados como capazes de restabelecer a parturiente, mas também de produzir um leite de alto teor nutritivo porque, segundo as crenças, a mãe que não se alimenta adequadamente pode até ter muito leite, mas não satisfaz a criança porque o leite é “fraco”.

Mas a mãe que amamenta deve saber que o leite materno é o alimento ideal para o recém-nascido devido às suas propriedades nutricionais e imunológicas, protegendo-o de infecções, diarreia e doenças respiratórias, permitindo seu crescimento e desenvolvimento saudável, além de fortalecer o vínculo mãe-filho e reduzir o índice de mortalidade infantil. Sabe-se também que a amamentação oferece vantagens não só ao bebê, mas também à mãe, à família e ao Estado

            Como na fase de lactação a mulher é a responsável por nutrir seu filho através do que o seu corpo produz ( o leite materno), sua alimentação no período pós-parto pode influenciar na qualidade do leite materno, principalmente no que se refere ao teor de vitaminas. Uma dieta balanceada desde a gestação e no puerpério é fundamental para garantir que as reservas de ferro e vitaminas da mãe não sejam esgotadas pela amamentação

            A dieta do período pós-parto não difere da anterior, na gestação, porém algumas considerações podem ser lembradas. Manter uma dieta equilibrada, saudável e bem variada é fundamental. Caso seja parto cesárea, indica-se uma alimentação que ajude na cicatrização, com ferro, vitamina C e E, zinco, selênio e proteínas. Nesse rol incluem-se, entre outros, carnes magras, ovos, laranja, abacaxi, lentilha, soja, berinjela, cenoura e tomate.

            Também é essencial a mãe se hidratar bem, tomar bastante água, chás e sucos. Na amamentação, a mãe gasta cerca de 330 a 500 calorias e 70 gramas de proteína por dia a mais na produção do leite. Vale destacar que a restrição calórica severa pode impactar da produção de leite e não deve ser indicada. A ingestão de alimentos ricos em ácidos graxos (gorduras) DHA e ARA ajuda a formação do metabolismo cerebral e podem ser encontrados em peixes de águas profundas (salmão, sardinha, atum) e óleos de sementes.

            Um prato rico em frutas, verduras, legumes e carnes é fundamental para o aumento da produção de vitaminas hidrossolúveis e outras vitaminas, que serão transmitidas ao bebê pelo leite materno.

As mamães veganas devem fazer a suplementação de vitamina B12 e muitas vezes de vitamina D e cálcio sob supervisão do médico e nutricionista.

            A maior parte dos alimentos consumidos pela mãe é passada ao filho através da amamentação de forma indireta. Por isso, o cuidado com a dieta deve ser redobrado.  Evidências científicas reforçam o cuidado para o não consumo de bebidas alcoólicas, pois o álcool pode ser detectado no leite materno até três horas após o consumo. Evitar alimentos ricos em cafeína ajuda o bebê a ficar mais tranquilo em razão da ação estimulante da bebida. Também deve-se evitar o consumo de alimentos industrializados, que costumam ter conservantes, corantes e aromatizantes.

            No momento, não há evidências científicas de que algum alimento aumente a produção de leite ou causem cólicas no bebê. O importante é manter a uma alimentação equilibrada e mamãe bem hidratada.

            Vale ressaltar a importância de nunca utilizar medicamentos com o propósito de aumentar a produção de leite sem antes falar com o seu médico. Lembre-se que a maioria dos medicamentos pode ser transmitida ao bebê durante a amamentação. Se você conhece uma mamãe que está no pós parto, compartilhe esse episódio com ela.

De Mayla Toffolo, coordenadora do GENMUCA para a Rádio Itatiaia Ouro Preto