Câmara de Ouro Preto cobra mudanças no atendimento da Sala de Estabilização de Cachoeira do Campo
Requerimento de Ricardo Gringo pede informações sobre classificação de risco, tempo de espera e escala de profissionais na unidade

A Câmara Municipal de Ouro Preto aprovou, por 13 votos a zero, o Requerimento 383/2026, de autoria do vereador Ricardo Gringo, que solicita informações à Secretaria Municipal de Saúde sobre o atendimento realizado na Sala de Estabilização de Cachoeira do Campo.
O documento foi elaborado após relatos recebidos pelo gabinete do vereador sobre o tempo de espera na unidade. Segundo o requerimento, há usuários que teriam aguardado entre duas horas e 30 minutos e três horas pelo atendimento.
O vereador também questiona o fluxo adotado na unidade e a existência de classificação de risco. O documento solicita que a Secretaria informe se existe algum procedimento de acolhimento e avaliação inicial dos pacientes, qual protocolo é utilizado e, caso não exista classificação de risco, qual mecanismo define a ordem de atendimento.
Outro ponto do requerimento trata do tempo de espera. Ricardo Gringo pede informações sobre o tempo médio registrado na unidade e sobre os maiores períodos de espera dos últimos três meses. O vereador também solicita dados sobre reclamações relacionadas à demora no atendimento.
A composição das equipes também é questionada. O documento pede a quantidade de profissionais de enfermagem e médicos escalados por plantão e pergunta se o número de trabalhadores é suficiente para atender à demanda.
O requerimento solicita ainda informações sobre um possível reforço da equipe médica nos dias de maior procura, com atenção para segundas e sextas-feiras. Entre as questões apresentadas está a possibilidade de antecipar das 10h para as 7h o início do atendimento de médicos responsáveis pelo reforço nesses dias.
Durante a discussão, Ricardo Gringo afirmou que já havia apresentado outro requerimento sobre a unidade e explicou que o novo documento reúne uma série de questionamentos sobre o funcionamento da Sala de Estabilização.
“Ficou mais extensa esse documento, porque nós já fizemos um primeiro requerimento cobrando justamente uma melhoria naquela sala de estabilização, que muitos acreditavam ser UPA, mas, na verdade, é sala”, afirmou.
O vereador disse que acompanhou atendimentos na unidade e apontou a necessidade de antecipação do reforço médico nas segundas e sextas-feiras.
“Já fiquei lá duas horas acompanhando o atendimento”, declarou.
Segundo Ricardo Gringo, a proposta não é atribuir problemas a todos os atendimentos realizados na unidade. Ele reconheceu ações da Secretaria Municipal de Saúde e afirmou que existem pontos que precisam ser modificados.
“Não quer dizer que todo atendimento está ruim. A gente tem visto também o esforço da secretaria para tentar acertar”, disse.
Entre as mudanças defendidas pelo vereador está a implantação de classificação de risco para identificar pacientes que precisam de atendimento de acordo com a gravidade do quadro. O requerimento pergunta como a unidade identifica pessoas que necessitam de atendimento imediato ou que apresentam risco de agravamento enquanto aguardam na sala de espera.
Ricardo Gringo relatou casos que, segundo ele, reforçam a necessidade de um mecanismo de classificação. Um deles teria ocorrido após um paciente chegar à unidade depois de um desmaio.
“Se tivesse uma classificação, a gente sabia que ele era prioridade”, afirmou.
O vereador também relatou um caso envolvendo sua esposa, que, segundo ele, chegou à unidade com sangramento na garganta. Ricardo afirmou que ela permaneceu aguardando atendimento e depois foi encaminhada para um hospital, onde ficou internada.
“Ela saiu de lá e ficou internada cinco dias na Santa Casa também”, disse.
Durante a discussão, Ricardo Gringo também afirmou que não defende tratamento diferente para vereadores ou outras pessoas que procuram a unidade. Ele citou situações em que agentes públicos foram criticados por passar à frente de outros pacientes e afirmou que esse não teria sido o caso relatado por ele.
O requerimento também questiona o fluxo adotado quando a demanda supera a capacidade de atendimento da Sala de Estabilização. A Secretaria deverá informar se existe protocolo para encaminhamento de pacientes à UPA Dom Orione ou a outros serviços da rede municipal de saúde.
O documento pergunta ainda quais medidas estão previstas para reduzir o tempo de espera, modificar o fluxo de atendimento e evitar períodos prolongados de permanência dos pacientes na sala de espera.
Ao encerrar a discussão, Ricardo Gringo direcionou parte da fala ao secretário municipal de Saúde, Leandro, e afirmou que o pedido não tem como objetivo questionar todos os atendimentos realizados na unidade.
“Este é crucial: classificação nas salas de atendimento em Cachoeira do Campo e que seja estendido o horário do médico de reforço. Ao invés de ele chegar às 10h da manhã, segundas e sextas, que ele chegue às 7h da manhã”, declarou.
O vereador também afirmou que, na avaliação dele, o atendimento nos demais dias da semana estaria dentro da normalidade. As informações solicitadas no requerimento deverão ser encaminhadas à Câmara para acompanhamento do gabinete e prestação de esclarecimentos à população.
Matheus Renovato, natural de Belo Horizonte, é repórter multimídia da Itatiaia Ouro Preto, onde está desde 2023. Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, possui experiência prévia na Rádio UFOP. Seu interesse profissional concentra-se especialmente nas áreas de jornalismo político, cultural e esportivo.



