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“Basta de feminicídio”: mobilização nacional ganha força após ondas de violência brutal

Dados nacionais indicam média de quase quatro mulheres mortas por dia apenas por serem mulheres

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Média de quase quatro mulheres mortas por dia apenas por serem mulheres
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Os últimos dias escancararam o que muitas mulheres denunciam há anos: a violência baseada em gênero não é um problema isolado — é um padrão estrutural. Casos recentes, graves e emblemáticos, reacendem o grito de alerta de feministas, coletivos e da sociedade civil em todo o país. E, diante desse cenário, cresce o coro nacional: basta de feminicídio.

Taynara Souza Santos, de 31 anos, foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro por seu ex-companheiro, em São Paulo, no último sábado, 29 de novembro — e teve as duas pernas amputadas após o ataque. A polícia trata o crime como tentativa de feminicídio.

Clara Maria Venâncio Rodrigues — jovem de 21 anos, morta em março de 2025. Seu corpo foi encontrado enterrado sob concreto, em sua casa, em Belo Horizonte, após ela ter saído para receber uma dívida. A brutalidade do crime chocou redes sociais e coletivos feministas.

Maria Victória Rodrigues dos Santos — adolescente de 15 anos e grávida de cinco meses, assassinada em 24 de março de 2025, em Itaueira (PI). O corpo apresentava diversos cortes, sinais de espancamento e possível estrangulamento; o crime foi classificado como feminicídio.

Vitória Regina de Sousa — jovem de 17 anos, desapareceu em 26 de fevereiro de 2025 e foi encontrada morta em 5 de março, numa área de mata em Cajamar (SP), com sinais de violência extrema, tortura e possível decapitação. O caso tem sido investigado como feminicídio, com suspeita de envolvimento de ex-namorado e facções criminosas.

Rosilene Barbosa do Espírito Santo, de 38 anos, foi morta a tiros pelo ex-marido em uma distribuidora de bebidas em Rio Verde (GO), no dia 29 de novembro de 2025 — crime registrado como feminicídio. Ela havia pedido medida protetiva apenas quatro dias antes e se mudado para a casa de uma amiga com o filho, por medo das ameaças constantes do ex.

Estes episódios não são isolados. São, antes, parte de uma escalada preocupante de violência contra mulheres, num espectro que vai do feminicídio consumado a crimes brutais e atentados contra a vida e a autonomia feminina.

Segundo levantamento do Observatório da Mulher Contra a Violência (ligado ao Senado Federal), no primeiro semestre de 2025 foram registrados 718 feminicídios no país. Isso equivale a uma média de quase quatro mulheres mortas por dia apenas por serem mulheres.

O que une todos esses episódios é a mesma lógica cruel: relações marcadas por controle, negação da autonomia feminina, machismo estrutural e impunidade. Mulheres que denunciam, que tentam sair de relacionamentos abusivos, que buscam independência ou simplesmente viver em paz acabam pagando com suas vidas. A naturalização da violência contra a mulher como “crime passional” ou “desavença de casal” continua sendo um problema central.

Em resposta a esse quadro alarmante, diversos movimentos sociais, coletivos feministas, sindicatos e organizações de defesa dos direitos das mulheres intensificaram sua atuação.

O Movimento Nacional Mulheres Vivas convocou um ato nacional para o próximo domingo, 7 de dezembro, com manifestações previstas em várias capitais brasileiras:

Belo Horizonte — 7/12, às 11h, Praça Raul Soares

São Paulo (SP): 7/12, 14h, vão do Masp

Rio de Janeiro (RJ): 7/12, 12h, Posto 5 – Copacabana

Curitiba (PR): 7/12, 10h, Praça João Cândido – Largo da Ordem

Cuiabá (MT): 6/12, 14h, Praça Santos Dumond

Campo Grande (MS): 7/12, 13h, em frente ao Aquário do Pantanal

Manaus (AM): 7/12, 17h, Largo São Sebastião

Parnaíba (PI): 7/12, 16h, em frente ao Parnaíba Shopping

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Bruna Truocchio é repórter da Rádio Itatiaia Ouro Preto e apresentadora do jornal local. Formada em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá, tem pós-graduações em Filosofia e Marketing Digital.