Henry Borel: pai de vítima se pronuncia após interrupção de julgamento
Leniel Borel, que também é assistente da acusação, caracterizou Jairo de Souza Santos Júnior e Monique Medeiros como 'monstros'

Leniel Borel, pai de Henry, menino de quatro anos, morto em 2021, afirmou sentir que "mataram" o filho dele pela segunda vez após o início do julgamento do caso ser interrompido nesta segunda-feira (23), no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, localizado no Centro da capital fluminense. Na ocasião, Jairo de Souza Santos Júnior e Monique Medeiros, acusados pela morte de Henry, estavam sendo julgados.
A bancada de defesa do ex-vereador Dr. Jairinho pediu adiamento do julgamento por falta de acesso a algumas provas, mas o pedido foi indeferido pela juíza Elizabeth Machado Louro. Após a negativa, os defensores de Jairinho decidiram por abandonar o plenário e, consequentemente, o julgamento foi suspenso. Diante da conduta, magistrada dissolveu o conselho de sentença e a sessão foi adiada para 25 de maio.
Com o adiamento do julgamento, a juíza relaxou a prisão da mãe da criança, Monique Medeiros, afirmando que a ré não contribuiu para o adiamento. Ela deve responder em liberdade até a nova data do julgamento, inicialmente marcada para 22 de junho. Porém, a data coincide com o período da Copa do Mundo e, por isso, o julgamento foi remarcado. A magistrada também determinou a nomeação de defensores públicos para Jairinho, a fim de evitar uma eventual nova manobra.
O Ministério Público divulgou que pretende recorrer da decisão de soltura de Monique. Enquanto isso, a prisão preventiva de Dr. Jairinho foi mantida. Após a interrupção da sessão e a decisão da Justiça em relaxar a prisão de Monique, o pai da vítima e assistente da acusação, Leniel Borel, caracterizou a estratégia da defesa de Jairo como "terrorismo". Ele ainda afirmou sentir que "assassinaram o Henry pela segunda vez".
"Aqueles dois [Jairo e Monique] nunca imaginaram que teriam sido presos e a gente conseguiu, juntos, prender aqueles dois monstros", disse Leniel. Ele ainda ressaltou que o caso é complexo, visto que um dos réus é "um vereador, com cinco mandatos. O pai é deoutado estadual, muito influente, que ligou para muita gente".
Relembre o caso
O menino Henry Borel, de 4 anos, morreu no dia 8 de março de 2021. O laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal indicou que a criança sofreu 23 ferimentos pelo corpo e a causa da morte foi “hemorragia interna e laceração hepática”.
Ele apresentava lesões hemorrágicas na cabeça, lesões no nariz, hematomas no punho e abdômen, contusões no rim e nos pulmões, além de hemorragia interna e rompimento do fígado.
Monique é acusada de homicídio triplamente qualificado, tortura, fraude processual e coação no curso do processo. Ela foi denunciada também pelo crime de falsidade ideológica.
Segundo o MPRJ, ela prestou declaração falsa no hospital para onde levaram a criança, que chegou ao local já sem vida. “Ao buscar atendimento para seu filho, objetivou mascarar as agressões sofridas por este, evitando a responsabilização penal de seu companheiro”, registrou a denúncia.
Filho do ex-deputado estadual Coronel Jairo, o ex-vereador era casado com Monique, professora e mãe de Henry, filho de um relacionamento anterior. Moravam em um apartamento na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Na madrugada em que o menino morreu, e foi levado pelo casal, aparentemente desacordado, ao Hospital Barra D'Or, no mesmo bairro. Ali, médicos constataram que o menino morrera. O casal alegava ter encontrado Henry desmaiado no quarto onde dormia.
A Polícia Civil indiciou Jairinho por tortura e o responsabilizou pela morte do enteado. Assim como Jairinho, ela alega ser inocente.
*Com CNN Brasil
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.





