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Suspeito de esfaquear Alana alega 'apagão' durante o ataque: 'Não lembro de nada'

Alana Anísio Rosa sobreviveu e recebeu alta hospitalar cerca de um mês após o ataque; Luiz Felipe Sampaio está preso preventivamente acusado de tentativa de feminicídio

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Suspeito de esfaquear Alana alega 'apagão' durante o ataque: 'Não lembro de nada'
Suspeito de esfaquear Alana alega 'apagão' durante o ataque: 'Não lembro de nada' • Imagens cedidas/ Bacci Notícias e @jaderluce/ Redes sociais

Imagens inéditas mostram o depoimento de Luiz Felipe Sampaio Cabral Silva durante a audiência judicial do processo em que ele é réu por tentativa de feminicídio contra Alana Anísio Rosa.

Alana foi esfaqueada mais de 30 vezes em 6 de fevereiro deste ano, após recusar namorar o réu. Ela passou um mês internada e recebeu alta em 4 de março. Luiz Felipe está preso preventivamente acusado de ser o autor do crime.

A primeira audiência do caso foi realizada no Fórum Regional de Alcântara, em São Gonçalo, no dia 15 de abril. Ao ser ouvido, o réu alegou que teve um "apagão" e não se lembra do momento do ataque.

Luiz Felipe contou que foi à casa de Alana e chamou três vezes no portão, quando a jovem apareceu. Ele pediu para conversar, mas ela recusou a investida e "deu um fora".

"Aí não sei o que aconteceu. Eu pulei no muro e depois eu não lembro mais nada. Não me recordo de mais nada. O único momento que eu me recordo é quando a mãe dela entra em casa, na casa dela", disse.

"Ali, naquele momento, aí eu estou ensanguentado, com o braço sangrando, o corpo tremendo, comecei a chorar. Eu falei: 'Perdão, Jade, perdão'. Aí ela: 'Sai daqui, Felipe, sai da minha casa'. Ela foi e me empurrou", acrescentou.

Depois do ataque, Luiz Felipe contou que recorda de ter voltado para a casa. Primeiro, ele conversou com o pai. Depois, sua mãe chegou em casa acompanhada de uma pastora e começou a orar. Durante a oração, o réu diz que sofreu um novo apagão e acordou dentro da viatura.

Além disso, o suspeito comentou sobre a possível arma utilizada no ataque: um canivete que ele carregava no chaveiro e guardava no bolso.

Apesar de dizer ter sofrido um apagão durante a tentativa de feminicídio, Luiz Felipe disse que sonhou "com muito sangue e a Alana no chão" quando foi detido e passou a noite no presídio.

Abaixo, assista ao depoimento:

Relembre o caso

Alana Anísio Rosa foi esfaqueada diversas vezes na noite de 6 de fevereiro. O autor invadiu a casa dela, localizada no bairro Galo Branco, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.

A Polícia Militar (PMERJ) foi acionada pela mãe da vítima. Ela relatou que, após voltar do trabalho, escutou gritos vindos do interior da casa, encontrou a filha sendo agredida e interrompeu o ataque.

De acordo com o registro, a mãe interveio, expulsou o agressor para fora do imóvel e socorreu Alana. A jovem sofreu ferimentos de faca no rosto, ombro e tórax, principalmente.

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Luiz Felipe Sampaio Cabral Silva, um vizinho apontado como o autor da tentativa de feminicídio, foi preso em flagrante horas após o crime. Em 8 de fevereiro, a Justiça determinou a prisão preventiva dele.

A motivação do ataque foi que Luiz Felipe vinha assediando Alana há meses, mas a jovem recusou se relacionar com ele. Ela disse que estava concentrada nos estudos para passar no curso de Medicina.

Segundo a família, o homem passou cerca de quatro meses enviando chocolates e buquês de rosas anonimamente. Em dezembro de 2025, ele se identificou, foi rejeitado e passou a persegui-la mais intensamente. Eles treinavam na mesma academia e se conheciam apenas de vista.

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Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).