Trump diz considerar deixar a Otan por falta de apoio na guerra contra Irã
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, chamou a organização de ‘tigre de papel’ e fez críticas aos países do tratado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (1°) que pretende deixar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) após o órgão recusar apoiar o país na guerra que segue no Oriente Médio.
Em entrevista ao jornal britânico “Telegraph”, Trump definiu a Otan como “tigre de papel”, expressão chinesa popularizada pelo líder comunista chinês Mao Tsé-Tung que define um inimigo aparentemente ameaçador, mas que na realidade não é tão poderoso. Para ele, a retirada dos Estados Unidos do tratado de defesa agora é "irreconsiderável".
“Eu diria que [a saída dos EUA da Otan] não tem como ser reconsiderada. Nunca me deixei influenciar pela Otan. Sempre soube que eles eram um tigre de papel, e Putin também sabe disso, aliás”, afirmou o presidente.
A tensão entre a organização e os EUA aumentou após Trump pedir que os países europeus da Otan enviassem navios para forçar a reabertura do Estreito de Ormuz, pedido que foi negado pelo bloco.
O Estreito de Ormuz se tornou um ponto central no conflito por conta da importância para a economia global. A região, dominada pelo governo iraniano, é responsável por 20% do tráfego de petróleo e gás natural de todo o globo, o que levou ao escalonamento dos preços do hidrocarboneto nas bolsas globais.
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“Além de não estar lá, foi realmente difícil de acreditar. E eu não fiz uma grande venda. Eu apenas disse: 'Ei', sabe, não insisti muito. Acho que deveria ser automático”, disse Trump sobre a falta de apoio da Otan no Oriente Médio.
“Estivemos presentes automaticamente, inclusive na Ucrânia. A Ucrânia não era problema nosso. Era um teste, e estávamos lá por eles, e sempre estaríamos. Eles não estavam lá por nós”, comentou. O conflito entre Rússia e Ucrânia intensificou após a tentativa ucraniana de ingressar no bloco.
Trump deve fazer um pronunciamento à nação às 21h (horário do Leste dos EUA) de quarta-feira (2h da manhã de quinta-feira, horário de Brasília) para atualizar as informações sobre a guerra.
Na noite dessa terça-feira (31), ele disse que o conflito poderia terminar em "duas semanas, talvez três", afirmando que seu único objetivo era impedir o Irã de obter armas nucleares.
(Sob supervisão de Alex Araújo)
Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.



