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Trump afirma que eventual acordo com o Irã será o 'oposto' do pacto de Obama

Em publicação na rede social, presidente dos EUA chamou pacto anterior de 'mau acordo' e afirmou que novos termos ainda não foram totalmente negociados

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O presidente dos EUA, Donald Trump
Presidente dos EUA, Donald Trump • Official White House Photo by Joyce N. Boghosian

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (24) que um eventual acordo com o Irã será completamente diferente do pacto firmado durante a gestão do ex-presidente Barack Obama. Em publicação na rede social Truth Social, Trump garantiu que o novo tratado será "bom e justo", rebatendo críticas da oposição sobre as tratativas em andamento.

"Se eu fizer um acordo com o Irã, será um acordo bom e justo, não como aquele feito por Obama, que deu ao Irã enormes quantias em dinheiro e um caminho livre e desimpedido para a obtenção de armas nucleares. Nosso acordo é exatamente o oposto, mas ninguém o viu, nem sabe do que se trata. Ele ainda nem foi totalmente negociado", escreveu o presidente norte-americano.

Na mesma mensagem, o republicano subiu o tom contra opositores: "Não deem ouvidos aos perdedores, que criticam algo que desconhecem completamente. Ao contrário daqueles que me antecederam e que deveriam ter resolvido este problema há muitos anos, eu não faço maus acordos!".

Programa nuclear no centro do impasse

A declaração ocorre em meio a intensas pressões de Washington para frear as ambições atômicas de Teerã. A Casa Branca tem reiterado que o Irã não terá permissão para possuir uma arma nuclear. Para alcançar esse objetivo, os negociadores americanos tentam impor limites severos à capacidade iraniana de enriquecer urânio, além de exigir a entrega do estoque atual do país.

De acordo com estimativas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possui cerca de 408 quilos de urânio enriquecido a 60% — patamar muito próximo ao nível necessário para a fabricação de armamento nuclear.

Por outro lado, o governo iraniano sustenta que seu programa tem fins estritamente pacíficos e que, como signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), possui o direito de enriquecer o mineral.

Divergências sobre prazos e estoques

As negociações de bastidores revelam um forte distanciamento entre as propostas das duas potências:

  • Pausa no enriquecimento: no mês passado, os EUA propuseram uma suspensão de 20 anos nas atividades de enriquecimento de urânio do Irã. Teerã contrapropôs um congelamento de apenas cinco anos, termo que foi rejeitado por Washington.
  • Envio do urânio ao exterior: os EUA exigem que o estoque de urânio altamente enriquecido seja enviado para fora do território iraniano. Veículos de mídia estatal do Irã, contudo, insistem que qualquer documento para encerrar as hostilidades não incluirá a entrega do material e preveem o adiamento do debate nuclear para após o fim do conflito armado.

O cenário diplomático é ainda mais complexo devido ao contexto militar. As discussões formais estavam em andamento até fevereiro deste ano, quando os Estados Unidos e Israel deram início a uma série de ataques militares contra alvos em território iraniano.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde