Enchentes causadas por tufão provocam invasão de cobras no Sul da China
Uma mulher, de 39 anos, morreu após ser picada por, aparentemente, uma naja; região é um importante polo de criação de cobras no país

Um tufão em Hengzhou, no Sul da China, está sofrendo com a inundação causada pelo fenômeno natural, mas de uma forma inusitada: cerca de 900 cobras, muitas delas venenosas, estão soltas na região. A mídia estatal divulgou que uma mulher, de 39 anos, morreu após ser picada por, aparentemente, uma naja — que teria escapado de uma das fazendas de répteis inundadas na região.
Ao todo, a tempestade deixou 39 mortos. Também há relatos de outros moradores da cidade, com cerca de um milhão de habitantes, terem sido mordidas. As autoridades chinesas recomendam que a população fique longe das cobras e equipes especializadas foram mobilizadas para capturá-las. Os estoques de soro antiofídico, medicamento feito de anticorpos que neutraliza o veneno de serpentes, foram reforçados e hospitais se preparam para um possível aumento de casos.
Zebras, pônei e outros animais também estão soltos
As cobras não são os únicos animais soltos por Hengzhou. Duas zebras, um boi corcunda, três pôneis em miniatura e dois jumentos, entre outros animais, escaparam depois que o Zoológico de Guigang foi inundado. O local, administrado pela iniciativa privada, divulgou um alerta emergencial na quarta-feira (8), pedindo à população que informe o paradeiro dos animais fugitivos. O aviso destacou que alguns dos animais, como avestruzes, emas e guaxinins, podem se tornar agressivos quando assustados.
O veículo chinês Shangyou News divulgou que mais de 16 mil porcos também foram arrastados pelas enchentes. A cidade de Hengzhou fica no sudeste da região de Guangxi, em uma planície relativamente plana cercada por montanhas e cortada por mais de 660 rios.
Conhecido como "capital chinesa do jasmim", o município também é conhecido pelo cultivo da flor, utilizada na produção de chá, há aproximadamente 500 anos. Além disso, Hengzhou e toda a região de Guangxi se transformaram em um importante polo de criação de cobras, com mais de 100 espécies registradas na região.
Em 2020, Guangxi abrigava quase 20 milhões de cobras distribuídas em mais de 14 mil criadouros, segundo um relatório do jornal Guangxi Daily, ligado ao governo regional. Atualmente, a maior parte desses animais é criada para aplicações farmacêuticas e biomédicas.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



