Israel informou EUA sobre plano do Irã para matar Donald Trump
Alerta vem em meio a crescentes tensões e suspeitas de que Israel tenta influenciar as decisões americanas sobre o Irã

Israel alertou os Estados Unidos sobre um novo plano do Irã para assassinar o então presidente Donald Trump, em retaliação ao ataque com drone que matou um importante general iraniano em 2020. A informação, que indica uma conspiração específica, foi recebida nesta semana e divulgada à CNN por fontes a par do assunto, em um contexto de crescentes tensões no Oriente Médio.
Uma das fontes confirmou que o alerta foi recebido nesta semana, mas os EUA já monitoravam, nas últimas semanas, um fluxo constante de informações sobre possíveis complôs contra Trump. O alerta de Israel, contudo, destacou-se por tratar de uma conspiração específica. Autoridades americanas sugeriram que o alerta israelense poderia ser uma tentativa de influenciar a decisão de Trump em intensificar a ação militar contra o Irã. O então presidente vinha avaliando essa possibilidade, e chegou a anunciar que nova onda de ataques contra Irã aconteceria.
Os detalhes específicos da conspiração não foram imediatamente esclarecidos, e duas fontes indicaram que os Estados Unidos ainda não haviam verificado as informações de forma independente. O governo americano alertava há tempos sobre a possibilidade de o Irã tentar assassinar Trump em retaliação ao ataque com drone ordenado em 2020, que resultou na morte do importante general iraniano Qasem Soleimani.
Questionada sobre o alerta israelense, noticiado inicialmente pelo Wall Street Journal, a Casa Branca reforçou apenas os comentários recentes de Trump. "Eles querem eliminar o líder dos EUA — eu", declarou Trump a repórteres nesta quarta-feira (8). "Estou em qualquer lista que seja. Vi hoje de manhã que estou em todas as listas deles. E, até agora, acho que tive um pouco de sorte, mas talvez isso não dure muito. São pessoas más, doentes. E temos de extirpar esse câncer. Esse câncer. Sabe o que se faz? É preciso remover o câncer logo no início. É assim que eu penso."
Mais tarde, Trump afirmou ter tomado conhecimento de uma nova lista que o apontava como o principal alvo de assassinato do Irã. Não foi esclarecido se ele se referia às novas informações da inteligência israelense. Durante o fim de semana, multidões de iranianos pediram a morte de Trump durante as cerimônias fúnebres do líder supremo morto, o aiatolá Ali Khamenei, que foi assassinado no início da guerra.
As tensões entre os Estados Unidos e o Irã aumentaram nos últimos dias, com os dois lados trocando ameaças e ataques. Um cessar-fogo de 60 dias para encerrar as hostilidades parece estar desmoronando. Duas fontes da inteligência dos Estados Unidos disseram que a comunidade de inteligência está monitorando vários atores que discutiram ataques, mas não chegaram a agir. Uma delas afirmou que as agências americanas temem que o Irã possa visar diversas autoridades de alto escalão, atuais e antigas.
Contudo, essa mesma fonte observou que o relatório israelense é visto, em parte, como um esforço mais amplo de Israel para influenciar as decisões de Trump em relação ao Irã. A desconfiança não é nova, e o Trump já vetou plano israelense para matar líder iraniano. Alguns membros da comunidade de inteligência sempre se mostram céticos em relação aos relatos de Israel, acrescentou a fonte.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, manifestou sérias dúvidas quanto aos esforços diplomáticos de Trump em relação ao Irã. Ele também entrou em conflito com o então presidente sobre a ação militar israelense no Líbano, o que havia complicado as negociações. Os dois conversaram por telefone nesta quinta-feira (9), e espera-se que Netanyahu visite Washington, nos Estados Unidos, em breve para reuniões com o presidente.
Outra autoridade americana afirmou nesta quinta-feira (9) que os esforços diplomáticos com o Irã continuam ocorrendo nos bastidores. Isso ocorre apesar da retomada de ataques entre os dois lados e da declaração de Trump, feita no dia anterior, de que o Memorando de Entendimento com o Irã estava "encerrado". Washington, nos Estados Unidos, e Teerã, no Irã, trabalham para alcançar um acordo nuclear até meados de agosto.
Várias autoridades informaram que houve preparativos para possíveis ataques na noite de quinta-feira, caso fossem necessários, mas a opção foi pela diplomacia. Mais cedo, no USS Abraham Lincoln, equipes armaram caças e pilotos realizaram exercícios para o caso de serem convocados a realizar ataques. O comandante do porta-aviões, Dan Keeler, disse aos milhares de tripulantes a bordo que a situação estava se intensificando.
Enquanto os preparativos estavam em andamento, pilotos de caça continuaram realizando operações defensivas de rotina, com voos decolando ao longo do dia e da noite.
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