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Terremoto no Japão: número de desaparecidos ultrapassa 300 pessoas

Em novo balanço, divulgado nesta segunda (8), o total de desaparecidos triplicou

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Carro submerso sobre um edifício que desmorou após o terremoto na cidade de Shika, no Japão

A estimativa do número de desaparecidos em função do forte terremoto que abalou o Japão, em 1º de janeiro de 2024, triplicou, de acordo com novo balanço divulgado nesta segunda-feira (8). O total ultrapassa 300 pessoas uma semana após desastre, segundo o governo local.

Até o momento, foram confirmadas 168 mortes em virtude do terremoto de magnitude 7,5 na escala Richard. Também foram registrados 565 feridos e 323 desaparecidos, de acordo com o novo relatório.

A maioria dos desaparecidos é da cidade de Wajima, uma das mais afetadas pela catástrofe, na península de Noto, às margens do Mar do Japão.

A cidade também foi palco de graves incêndios em decorrência do abalo sísmico, que foi seguido por centenas de tremores secundários.

O terremoto causou o desabamento de edifícios e estradas em toda a região.

Também desencadeou um tsunami com ondas de mais de um metro de altura no litoral da península de Noto - uma estreita faixa de terra com cerca de 100 quilômetros de extensão.

O tremor foi sentido até em Tóquio, capital do Japão, que fica há mais de 500 km de distância de Wajima.

Resgate 

Milhares de equipes de resgate, de diferentes pontos do país, foram acionadas para apoiar os socorros e as buscas por vítimas nos escombros.

No domingo (07), uma senhora de 90 anos foi resgatada em meio a escombros, na cidade de Suzu, cinco dias após a tragédia.

Nesta segunda-feira (8), o serviço de resgate teve que lidar com uma nevasca na península de Noto, que gerou camadas de mais de 10 cm de gelo em alguns locais. As temperaturas não ultrapassam os 4°C.

Autoridades temem novos deslizamentos de terra, devido às chuvas. Espera-se que a neve complique ainda mais o tráfego nas estradas danificadas pelo terremoto.

A equipe de resgate continua os esforços para alcançar mais de 2 mil pessoas isoladas, algumas em estado crítico, por estradas afetadas pelo terremoto.

Eles tentam entregar comida e equipamento de emergência para as vítimas do terremoto no Japão.

O governador da província de Ishikawa, Hiroshi Hase, destacou que é necessário "evitar a todo o custo mortes" entre os deslocados pelo desastre.

O Exército do Japão enviou pequenos grupos de tropas a pé para cada uma das comunidades isoladas, anunciou o primeiro-ministro Fumio Kishida.

O governo também mobilizou helicópteros da polícia e dos bombeiros para o chegar às vítimas, acrescentou Kishida.

Desabrigados 

Cerca de 29 mil pessoas permanecem abrigadas em 404 instalações oferecidas pelo governo até esse domingo (07).

Pelo menos 18 mil casas na região de Ishikawa seguem sem eletricidade, nesta segunda-feira (08). Mais de 66,1 mil residências não tinham acesso à água nesse domingo (07).

De acordo com a imprensa local, a maioria dos 29 mil desabrigados não tinham água, eletricidade e aquecimento suficientes em casa.

Convivência com terremotos 

O Japão registra centenas de terremotos anualmente, mas a maioria não causa danos em função dos rígidos códigos de construção civil, em vigor no país há mais de quatro décadas.

No entanto, muitas das construções são antigas, especialmente em comunidades de zonas rurais, como Noto.

O Japão ainda guarda a memória do devastador terremoto de 2011 que desencadeou um tsunami, deixando cerca de 18.500 mortos ou desaparecidos, além de uma catástrofe nuclear na usina nuclear de Fukushima Daiichi, em Fukushima.

*Com informações da AFP

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.