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“Sempre fomos contra a expansão exagerada da noção de segurança nacional”, salientou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning.
“Nossa convicção sempre foi que a implementação arbitrária de taxas não atende aos propósitos de nenhuma das nações”, complementou.
Na quarta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a aplicação, a partir de 1º de agosto, de uma taxa de 50% sobre o cobre – metal essencial para a transição energética e outras inovações tecnológicas, e do qual o Chile é o principal fornecedor global – justificando a medida por motivos de “segurança nacional”.
“O cobre figura como o segundo material de maior emprego pelo Departamento de Defesa!”, enfatizou Trump, que sublinha a necessidade de os Estados Unidos produzirem semicondutores, aeronaves, embarcações e munições, entre outros itens.
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Brasil reage a ‘tarifaço’
Após o anúncio de Trump sobre o aumento da tarifa estadounidense perante o Brasil, o presidente
Lula classificou a medida como unilateral e alertou que qualquer tentativa nesse sentido será respondida com base na Lei de Reciprocidade Econômica.
Veja a resposta de Lula na Íntegra:
“Tendo em vista a manifestação pública do presidente norte-americano Donald Trump apresentada em uma rede social, na tarde desta-quarta (9), é importante ressaltar: O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém. O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais.
No contexto das plataformas digitais, a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática. No Brasil, liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas. Para operar em nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão submetidas à legislação brasileira. É falsa a informação, no caso da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, sobre o alegado déficit norte-americano.
As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos. Neste sentido, qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica. A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo.”
Segundo o presidente, o Brasil é uma nação soberana, com instituições sólidas e independentes, e não aceitará qualquer tipo de tutela externa. “Não estamos sujeitos à ingerência ou ameaças que firam a independência das instituições nacionais”, declarou.
Trump anunciou a possibilidade de sobretaxar o Brasil ao lado de outras nações, alegando desequilíbrios comerciais. Lula rebateu o argumento e citou dados do próprio governo norte-americano, que apontam superávit dos Estados Unidos de cerca de US$ 410 bilhões na balança comercial com o Brasil nos últimos 15 anos.
Ainda na nota, o presidente reforçou que todas as empresas, nacionais ou estrangeiras, devem respeitar a legislação brasileira. Ele destacou que a liberdade de expressão no Brasil não deve ser confundida com discurso de ódio, racismo, pornografia infantil ou ataques à democracia.
Por fim, Lula reiterou que o país seguirá firme na defesa de seus interesses econômicos e institucionais: “A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”.
Donald Trump decidiu pela taxação depois de sair em defesa novamente do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele escreveu nas redes sociais: “Deixem o grande ex-presidente do Brasil em paz. Caça às bruxas!”. A divulgação dessa carta foi o terceiro ataque do governo americano ao julgamento de Jair Bolsonaro em um intervalo de um dia e meio.
*Com informações de Aline Pessanha e AFP