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Surto de Ebola no Congo se torna o mais mortal da história do país, registrando 2.325 mortes

Número de óbitos já ultrapassam as 2.299 mortes registradas no surto de 2018-2020 no Congo — que, até então, era o pior da história do país; atual surto também se tornou o maior em número de diagnósticos, com 4.945 casos

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Trabalhadores da saúde na República Democrática do Congo
Trabalhadores da saúde na República Democrática do Congo • SEROS MUYISA / AFP

O surto de Ebola na República Democrática do Congo matou 2.325 pessoas, segundo divulgado pelo governo nesse domingo (16). O número ultrapassa o número de óbitos do surto de 2018-2020 (com mais de 2.299 mortes) e se tornou o mais mortal da história do país.

A atual epidemia — a 17ª no Congo — já era o maior da história do país em número de casos. O instituto de saúde pública informou que os diagnósticos subiram para 4.945, incluindo 101 novos casos detectados nas últimas 24 horas.

Três meses após o anúncio formal, o surto agora somente é superado pelo o que atingiu a África Ocidental entre 2014-2016, quando foram registrados 28.616 casos e 11.310 mortes na Guiné, Libéria e Serra Leoa, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na época, foram necessários quase cinco meses desde a declaração daquele surto atingir mil mortes — enquanto o surto atual no Congo atingiu dois mil óbitos em menos de três meses.

O surto atual é causado pela variante Bundibugyo. Ao contrário da cepa Zaire (responsável por epidemias passadas), atualmente não há vacina aprovada ou tratamento clínico específico disponível para essa variante.

• World Bank / Vincent Tremeau.
• World Bank / Vincent Tremeau.

Surto de Ebola em 2026 no Congo: linha do tempo

  • Janeiro e fevereiro: especialistas estimam que as primeiras infecções (iniciais e silenciosas) tenham começado na cidade de Mongbwalu, na província congolesa de Ituri.
  • 5 de maio: a Organização Mundial da Saúde recebe o primeiro alerta formal sobre um surto de uma "doença desconhecida" que causava rápida mortalidade na região de Mongbwalu. Entre as vítimas, encontravam-se profissionais de saúde locais.
  • 14 e 15 de maio: o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa isola as amostras e confirma tratar-se do vírus Bundibugyo. O Ministério da Saúde da RDC oficializa a declaração do 17º surto de ebola da história do país. Nas mesmas datas, Uganda notifica o primeiro caso importado, registrando a morte de um homem na capital, Kampala.
  • 16 e 17 de maio: diante da incerteza, da intensa mobilidade transfronteiriça e da presença de conflitos armados nas províncias afetadas, o Diretor-Geral da OMS eleva o nível de alerta global e classifica o surto como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). Um segundo caso importado é identificado em Kampala.
  • 19 de maio: o Ministério da Saúde do Brasil emite o Alerta Epidemiológico Nº 01/2026. O documento instrui a rede pública a manter vigilância ativa (especialmente em portos e aeroportos) para identificar de forma rápida eventuais casos importados, embora não houvesse circulação do vírus nas Américas.
  • 4 de julho: um paciente infectado que viajou e importou a doença para a França recebe alta após tratamento intensivo e bem-sucedido. Autoridades francesas e a OMS confirmam que o controle foi rápido e não houve nenhuma transmissão secundária na Europa.
  • 22 de julho: a situação se agrava significativamente. A marca de 990 mortes é atingida, ultrapassando 2.400 casos confirmados. A OMS confirma que a presença do vírus se expandiu por cinco províncias do leste congolês, em áreas dominadas pela instabilidade crônica de milícias rebeldes.
  • 3 a 9 de agosto: o ritmo de contágio atinge um pico alarmante. Em apenas sete dias, são notificados 579 novos casos e 304 mortes, evidenciando uma velocidade de transmissão sem precedentes.
  • 13 a 17 de agosto: o surto se consolida oficialmente como o de crescimento mais rápido já registrado na história do ebola. As fatalidades ultrapassam 2.325, em um universo de mais de 4.900 infectados diagnosticados. A OMS soa um alerta máximo ao constatar que o número de vítimas chega a dobrar a cada três semanas e que 60% a 70% das mortes estão acontecendo dentro das próprias comunidades, fora das redes de internação hospitalar, indicando fortes correntes ocultas de contaminação.
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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