Saiba quem é Iván Mordisco, responsável pelos ataques na Colômbia
Vizinho sulamericano enfrenta uma série de atentados fatais nas vésperas da eleição presidencial em 31 de maio

Atirador de elite, especialista em explosivos e rebelde implacável. Iván Mordisco, o guerrilheiro mais procurado da Colômbia, desafia as eleições presidenciais com o pior ataque contra civis em décadas.
O presidente Gustavo Petro o compara a Pablo Escobar desde que Mordisco abandonou as negociações de paz com seu governo, em 2024.
Drones explosivos e carros-bomba tornaram-se a marca registrada do comandante do maior grupo dissidente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), com demonstrações de força letais pouco antes das eleições presidenciais de 31 de maio.
Cético em relação ao acordo de paz que desarmou o grupo guerrilheiro mais poderoso do continente, ele se recusou a assiná-lo em 2016 e organizou uma facção dissidente que permaneceu armada, financiada pelo narcotráfico.
Usando óculos escuros, o rebelde, cujo nome verdadeiro é Néstor Gregorio, ordenou um ataque no fim de semana que deixou 21 civis mortos.
Símbolo da violência que se seguiu ao acordo de paz, Mordisco é considerado o mentor do ataque mais mortal em três décadas, que remete aos piores períodos do conflito armado.
Hoje, ele comanda um esquadrão de cerca de 3.200 combatentes que se financiam com tráfico de cocaína, mineração ilegal, extorsão e outros crimes.
Comandante de nível médio da Farc
Mordisco ingressou na guerrilha ainda adolescente e é considerado um atirador de elite. Com o tempo, conquistou o respeito dos outros combatentes por sua proficiência com fuzis e explosivos.
Quando as FARC depuseram as armas para se tornarem um partido político, Mordisco permaneceu na selva e semeou o terror. Ele utiliza os emblemas históricos da guerrilha marxista e venera suas principais figuras.
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No antigo grupo guerrilheiro, "ele era um comandante de nível médio. Nunca esteve entre os comandantes históricos, mas sua experiência militar e sua oposição inicial às negociações lhe conferiram significativa legitimidade", disse o pesquisador de conflitos Jorge Mantilla à Agência France-Presse.
À frente do grupo dissidente conhecido como Estado-Maior Central (EMC), ele impediu que as Farc desaparecessem. Os combatentes se consideram herdeiros do projeto ideológico da grupo.
'Morte e desapropriação'
Mordisco não esteve presente nas negociações de paz em Havana e deixou claro desde o início que não deporia as armas.
O ex-segundo em comando do grupo guerrilheiro e principal negociador, Iván Márquez, enviou um líder conhecido como Gentil Duarte à Colômbia para persuadi-lo a participar do processo, segundo pesquisa da Core Foundation.
Mas, longe de convencê-lo, Duarte se juntou a ele e, juntos, viraram as costas para o acordo com o então presidente e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Juan Manuel Santos.
Mordisco afirmou que era um acordo de "morte" e "desapropriação". Ele acreditava que só beneficiaria a liderança das Farc, já que os combatentes de base ficariam desprotegidos. As Forças Armadas estimam que os grupos dissidentes se fortaleceram rapidamente por meio de seus negócios ilícitos, recrutamento forçado e aliciamento de jovens empobrecidos em plataformas como o TikTok.
Em abril de 2023, Mordisco fez sua única aparição pública em uma área de selva. Ele chegou em um SUV blindado de luxo para anunciar o início das negociações com Petro. Ele portava um fuzil Tavor X95 de fabricação israelense e usava seus característicos óculos escuros.
Petro faz caçada por Iván Mordisco
Em 2024, Mordisco rompeu as negociações de paz com Petro, que o chamou de "traficante". "Quero Iván Mordisco capturado vivo, não morto", implorou o presidente de esquerda, que lançou uma caçada implacável com recompensas milionárias por sua captura.
Sua morte foi noticiada em diversas ocasiões. Em 2022, o governo de direita de Iván Duque anunciou seu falecimento, mas o rebelde reapareceu posteriormente em um vídeo. Petro o considera a principal ameaça à segurança de um país mergulhado em mais de seis décadas de conflito entre guerrilheiros, paramilitares, narcotraficantes e agentes do Estado.
Em vídeos, Mordisco afirma estar "do lado dos pobres" e defender o meio ambiente, enquanto é acusado de assassinar militares, civis e líderes sociais na selva.
Ele também é considerado um comandante implacável que ordena execuções por traição ou corrupção, segundo centros de pesquisa.
*Com informações da AFP
(Sob supervisão de Alex Araújo)
Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.
