Rússia e Coreia do Norte dizem lutar por 'nova ordem mundial' e ampliam aliança militar
Em mensagem pelo Dia da Libertação da Coreia, chanceler russo Sergei Lavrov destacou participação de tropas norte-coreanas na guerra contra a Ucrânia e defendeu aprofundamento da cooperação entre Moscou e Pyongyang

A Rússia e a Coreia do Norte afirmaram que atuam juntas para construir uma “nova e justa ordem mundial”, baseada na "multipolaridade, na igualdade entre os países e na defesa de interesses nacionais". A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em mensagem enviada à chanceler norte-coreana, Choe Son Hui, por ocasião do Dia da Libertação Nacional da Coreia.
A mensagem foi divulgada pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA), veículo estatal de comunicação da Coreia do Norte, e reforça a aproximação entre Moscou e Pyongyang em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia. Segundo Lavrov, Rússia e Coreia do Norte estariam atualmente “na mesma frente” na defesa de uma nova configuração internacional. O chanceler também afirmou que os dois países devem manter o caminho estabelecido pelos presidentes Vladimir Putin e Kim Jong-un para ampliar a cooperação bilateral em diferentes áreas.
Um dos principais pontos da mensagem foi a referência à participação de militares norte-coreanos nas operações russas na região de Kursk, território russo que foi alvo de uma incursão das forças ucranianas. Lavrov classificou a atuação dos soldados da Coreia do Norte como uma demonstração do “espírito de camaradagem” e das tradições de cooperação entre os dois países.
Na mensagem, Lavrov também estabeleceu um paralelo histórico com o fim da Segunda Guerra Mundial. De acordo com a versão divulgada pela KCNA, ele afirmou que soldados soviéticos e patriotas coreanos participaram da luta que levou à derrota do militarismo japonês e à libertação da península coreana em 1945.
Aproximação entre Putin e Kim Jong-un
A relação entre Rússia e Coreia do Norte ganhou força nos últimos anos, especialmente após a invasão russa da Ucrânia, iniciada em 2022. Moscou passou a contar com maior apoio diplomático e militar de Pyongyang, enquanto a Coreia do Norte encontrou na Rússia um parceiro estratégico em um momento de forte isolamento internacional.
O estreitamento das relações foi formalizado em junho de 2024, quando Putin e Kim Jong-un assinaram um tratado de parceria estratégica abrangente. O acordo ampliou a cooperação entre os dois governos em diferentes áreas e incluiu compromissos relacionados à assistência em caso de agressão contra um dos países.
Desde então, autoridades ocidentais e sul-coreanas demonstraram preocupação com a possibilidade de a cooperação militar entre Moscou e Pyongyang envolver transferência de tecnologia e conhecimento militar para a Coreia do Norte em troca do fornecimento de armas, munições e tropas para a Rússia.
Ao falar em uma “nova e justa ordem mundial”, Lavrov utiliza uma expressão recorrente na diplomacia russa para defender uma configuração internacional menos concentrada na influência dos Estados Unidos e de seus aliados. A mensagem enviada a Pyongyang afirma que Moscou e Pyongyang defendem uma ordem baseada na multipolaridade, igualdade e interesses nacionais.
Na mensagem, o chanceler russo afirmou estar convencido de que Moscou e Pyongyang continuarão seguindo a orientação estabelecida por Putin e Kim Jong-un para aprofundar a cooperação. Lavrov afirmou ainda que o fortalecimento da parceria entre os dois países estaria relacionado ao “bem-estar” das populações russa e norte-coreana e à segurança regional e internacional.
Troca de mensagens entre os líderes
Além da comunicação entre os ministros das Relações Exteriores, o presidente russo, Vladimir Putin, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, também trocaram mensagens por ocasião dos 81 anos da libertação da Coreia, celebrados em 15 de agosto. Na mensagem enviada, Putin parabenizou Kim Jong-un pelo feriado nacional e também associou a libertação da Coreia à atuação conjunta de patriotas coreanos e soldados do Exército Vermelho na derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial.
O presidente russo afirmou que foi naquele período que surgiram as “tradições de amizade combativa e assistência mútua” que, segundo ele, serviram de base para as relações entre os dois países. Putin também declarou que os laços entre Moscou e Pyongyang chegaram atualmente a um nível “sem precedentes” de parceria estratégica abrangente.
Segundo Putin, Rússia e Coreia do Norte cooperam em diferentes setores e trabalham conjuntamente para garantir a segurança e a estabilidade regional. Na mensagem, ele também manifestou a expectativa de que os dois governos continuem atuando em questões bilaterais e internacionais, com o objetivo de promover o bem-estar de suas populações e estabelecer uma “ordem mundial democrática mais justa e genuína”.
Kim Jong-un respondeu agradecendo as felicitações e classificou a libertação da Coreia, em 15 de agosto de 1945, como um acontecimento decisivo para a independência e a soberania do país. Na resposta, Kim disse esperar um futuro ainda melhor para as relações entre os dois países e afirmou ter "orgulho" de conduzir, ao lado de Putin, os laços entre Rússia e Coreia do Norte. O líder norte-coreano também manifestou apoio à Rússia ao declarar sua convicção de que o Exército e o povo russos alcançarão a “causa sagrada” de defender a soberania, os interesses de segurança e a integridade territorial do país.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



