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Reféns mortos por engano pelo Exército de Israel em Gaza agitavam bandeira branca

Os três eram um dos de 240 israilenses sequestradas pelo Hamas durante o ataque contra Israel, em 7 de outubro

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O incidente gerou protestos contra a ação dos militares em Tel Aviv, capital de Israel, nessa sexta-feira (15) • Ahmad Gharabli/ AFP

O Exército israelense admitiu, neste sábado (16), que os três reféns mortos "por engano" por seus soldados na Faixa de Gaza agitavam uma bandeira branca e pediram ajuda em hebraico. O incidente gerou protestos contra a ação dos militares em Tel Aviv, capital de Israel, nessa setxa-feira (15).

As vítimas, Yotam Haim, de 28 anos, Alon Shamriz, de 26 anos, e Samer El Talalqa, de 25 anos, morreram durante operações em um bairro da Cidade de Gaza. Os militares confundiram as vítimas com terroristas, disse o porta-voz do Exército.

Os três eram um dos de 240 pessoas sequestradas pelo Hamas durante o ataque contra Israel, em 7 de outubro de 2023. A ofensiva do grupo extremista islâmico deixou 1.140 mortos, a maioria civis, segundo o governo israilense.

Em resposta aos ataques do Hamas, Israel prometeu "aniquilar" o grupo islamista e iniciou uma ofensiva na Faixa de Gaza, que se estende a todo seu território.

Os bombardeios israelenses deixaram pelo menos 18 mil mortos. Segundo o Ministério da Saúde do Hamas, 70% das vítimas eram mulheres, crianças e adolescentes.

Após um primeiro acordo de trégua entre Israel-Hamas, 111 israilenses foram liberados e outras 129 pessoas permanecem como reféns em Gaza.

“O soldado se sentiu ameaçado”

O porta-voz do Exército israelense explicou que, durante os combates na Cidade de Gaza, as tropas identificaram "por engano três reféns israelenses como uma ameaça”.

Mesmo agitando uma bandeira branca, os militares abriram fogo contra os jovens e os mataram.

O Exército de Israel informou que o local da ação é uma região onde as tropas sofrem frequentes emboscadas, na Faixa de Gaza.

"Eles não usavam camisa e traziam um bastão com um pano branco. O soldado se sentiu ameaçado e disparou, declarando que eram terroristas", disse um oficial militar à imprensa.

Dois reféns morreram na hora. O outro ferido tentou correr em direção a um edifício, gritando “socorro” em hebraico.

O Exército disse que, embora o comandante do batalhão tivesse ordenado cessar-fogo, o terceiro refém foi baleado e morreu.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou a morte dos reféns como "uma tragédia insuportável", que deixou "todo o Estado de Israel" de luto.

Nos Estados Unidos, a Casa Branca descreveu a morte dos reféns como um "erro trágico".

Segunda trégua?

Após a morte dos três reféns, o site de notícias Axios informou que o diretor da agência de Inteligência israelense, David Barnea, deve se reunir neste fim de semana com o primeiro-ministro do Catar, Mohamed bin Abdulrahman Al Thani, para negociar uma segunda fase de trégua entre Israel-Hamas, que permitiria a libertação de mais reféns. No momento, 129 pessoas permanecem como reféns em Gaza.

Um acordo de trégua, mediado pelo Catar, Egito e EUA, permitiu uma pausa de uma semana nos combates, no final de novembro de 2023. A trégua rendeu a libertação de mais de 100 reféns israilenses em troca de 240 palestinos presos em Israel, bem como a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

* Com informações da AFP

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.