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Presidentes de Venezuela e Guiana se reúnem para decidir futuro de Essequibo

Maduro prega diálogo para solucionar o conflito, enquanto Irfaan Ali nega sequer a existência de uma disputa

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Os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Guiana, Irfaan Ali, se reuniram, nesta quinta-feira (14), para discutir a disputa pela região de Essequibo

Os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Guiana, Irfaan Ali, se reuniram pela primeira vez, nesta quinta-feira (14), para discutir a disputa pela região de Essequibo, após 95% da população venezuelana aprovar o referendo que propõe anexar a área ao seu território nacional. Segundo especialistas, o encontro no Caribe diminue as crescentes tensões entre os países, mas não deve surtir efeito para a resolução do conflito.

A reunião é promovida pela Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), com o apoio do Brasil, em meio à crescente preocupação com os cada vez mais duros confrontos verbais entre os dois governantes. Mais cedo, os dois presidentes se reuniram separadamente com representantes da Comunidade do Caribe (Caricom).

A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, Celso Amorim, viajou para representar o governo brasileiro na reunião que acontece hoje (14) nas ilhas de São Vicente e Granadinas.

Essequibo é uma área de 160.000 km2 rica em petróleo e outros recursos naturais, que representa 70% do território da Guiana, mas há séculos é reivindicado pela Venezuela.

A disputa é centenária, mas retomou em 2015, depois que a petrolífera norte-americana ExxonMobil descobriu grandes reservas de petróleo bruto na região. A retórica anti-imperialista do governo venezuelano acusa Ali de ser "um escravo" dos interesses dos Estados Unidos.

Maduro organizou um referendo, em 3 de dezembrode 2023, que aprovou a criação de uma província venezuelana no território e a concessão da nacionalidade a seus habitantes, que hoje se identificam como guineenses.

O ministério da Comunicação e Informação da Venezuela divulgou um vídeo em que Maduro e Irfaan Ali aparecem sentados em uma mesa ao lado de Ralph Gonsalves, primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas - país anfitrião do encontro.

Posições antagônicas

"Venho aqui para buscar, pela única via possível, a via do diálogo e da negociação, soluções efetivas", disse Maduro à imprensa ao chegar a Kingstown.

O encontro é marcado por posições antagônicas entre os países. Por um lado, Maduro considera o encontro "uma grande conquista para abordar de maneira direta a controvérsia territorial".

Por outro, Ali nega sequer a existência de uma disputa e insiste que a questão deve ser resolvida na Corte Internacional de Justiça (CIJ), na ONU, que não tem a jurisdição reconhecida pelo governo da Venezuela.

A Guiana levou o caso ao Conselho de Segurança da ONU e anunciou contatos com "aliados" militares, como os Estados Unidos, que organizaram exercícios militares no Essequibo.

O Brasil, que defende uma solução pacífica, anunciou a decisão de reforçar a presença militar na fronteira.

Maduro, no entanto, promete não retroceder na disputa por Essequibo e reivindica a autonomia de escolha do seu povo.

"Venho com um mandato do povo da Venezuela, com uma palavra de diálogo, com uma palavra de paz, mas para defender os nossos direitos", afirmou o presidente venezuelano ao pousar no Caribe.

Resolução improvável

O ex-embaixador da Venezuela no país caribenho, Sadio Garavini di Turno, não acredita que a reunião vai render uma solução substancial para o conflito. “A posição da Guiana é que não há conversações bilaterais sobre o tema, porque isso está na Corte Internacional de Justiça", explicou.

Ele acredita em uma declaração conjunta dos presidentes para diminuir a escalada do conflito, mas alerta que intermediários terão que buscar algo para que Maduro não saia do encontro “sem nada”.

Garavini di Turno destacou que a Venezuela "curiosamente" evita mencionar as outras grandes empresas que exploram petróleo em Essequibo, além da norte-americana ExxonMobil. É o caso da China National Petroleum Corporation e da também americana Chevron, duas empresas que operam na Venezuela - que é alvo de sanções dos EUA.

Na segunda-feira (11), o chanceler venezuelano, Yván Gil, aventou, em Caracas, a possibilidade de uma "cooperação em petróleo e gás" entre Venezuela e Guiana, sem muitos detalhes.

"Poderiam surgir acordos de exploração, isso precisa ser negociado", observou o advogado especializado em litígios internacionais Ramón Escovar León - embora acredite que é pouco provável esta solução no curto prazo.

*Com informações da AFP

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.