Polícia de Israel anuncia prisão de suspeitos de ataques que feriu jornalista dos EUA na Cisjordânia
Diplomatas europeus também foram vítimas de agressões no último fim de semana; Estados Unidos, França, Bélgica e Polônia exigiram medidas contra a violência de colonos israelenses

A Polícia de Israel informou, nesta segunda-feira (19), que prendeu 10 suspeitos de participarem dos ataques violentos registrados na Cisjordânia no fim de semana, incluindo o caso envolvendo uma fotojornalista estadunidense, que estava trabalhando para o Washington Post, ferida na última sexta-feira (16). Diplomatas europeus também foram vítimas no sábado (17).
Os Estados Unidos — aliado mais próximo de Israel — defenderam uma repressão à violência dos colonos e a prisão dos autores dos ataques à foto jornalista Heidi Levine. Os outros países, como França, Bélgica e Polônia, cujos diplomatas também foram atacados, exigiram que Israel tomasse medidas.
De acordo com as autoridades israelenses, os suspeitos foram detidos durante uma operação realizada antes do amanhecer desta segunda-feira (19), sob a suspeita de envolvimento em atos de violência, violação de uma ordem de zona militar e construção ilegal.
As identidades deles não foram reveladas, mas a Rádio do Exército de Israel informou que eles são cidadãos israelenses. Os suspeitos foram levados sob custódia para interrogatório.
Após as prisões, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, escreveu nas redes sociais que a operação foi "um desdobramento muito positivo na busca e punição daqueles que atacaram e espancaram violentamente" a jornalista do Washington Post.
Ataques de colonos na Cisjorndânia
Na última sexta-feira (16), Heidi Levine foi alvo de ataques de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada. A fotojornalista do Washington Post estava perto das localidades de Turmus Ayya e Khirbet Abu Falah.
Imagens registradas pela Agence France-Presse (AFP) mostram ferimentos em uma das perna e em um dos braços dela.

Heidi Levine foi socorrida por colegas e levada para um hospital em Ramallah, capital administrativa e o principal centro político da Palestina. À jornalistas presentes na unidade de saúde, ela relatou que se deparou com 50 homens mascarados, instantes antes do ataque:
"Eles carregavam bastões de madeira, e acho que também barras de ferro. Fui atacada, empurrada ao chão. Felizmente estava usando colete à prova de balas e capacete, caso contrário, provavelmente nem estaria aqui, porque eles não paravam de me chutar", disse.
Segundo divulgado pela imprensa internacional, citando testemunhas, o grupo que atacou a cidadã estadunidense era formado por cerca de 80 colonos. Alguns deles carregavam botijões de gás que forma usados para queimar as oliveiras onde palestinos estavam reunidos para colher azeitonas maduras.
Os colonos israelenses vestiam roupas pretas e tinham os rostos mascarados. Eles também atiraram pedras contra os moradores e, além da fotojornalista, outra pessoa ficou ferida.
Após um primeiro atendimento, Heidi Levine foi transferida para um hospital israelense perto de Tel-Aviv. A fotojornalista passou por uma cirurgia em um dedo.
No sábado (17), diplomatas de França, Bélgica e Polônia, bem como um prefeito francês, foram atacados por colonos mascarados em outra parte da Cisjordânia. Um veículo diplomático belga também foi danificado.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, e as Forças Armadas atribuíram a responsabilidade pelo ataque aos diplomatas a "manifestantes israelenses".
Por outro lado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que os diplomatas entraram em uma "área sensível com histórico de confrontos" e sem coordenação com as Forças Armadas.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



