Oriente Médio: EUA aguardam resposta do Irã sobre cessar-fogo
Washington também espera a oficialização de um representante iraniano para negociações entre os países

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que os Estados Unidos aguardam uma resposta do Irã sobre a proposta de 15 pontos que o governo de Donald Trump enviou para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Mesmo sem uma devolutiva, Rubio afirmou que a resposta pode vir a qualquer momento. "Não recebemos ainda", disse o secretário norte-americano à CNN. “Olha, recebemos mensagens. Tivemos uma troca de mensagens e indicações do sistema iraniano, seja lá o que restou dele, sobre uma disposição para falar sobre certas coisas", acrescentou.
Rubio acrescentou que os Estados Unidos estão aguardando esclarecimentos sobre quem ficará responsável por representar o Irã nas negociações, depois que ataque dos EUA e de Israel resultaram na morte de muitos líderes do regime iraniano. "Quem seria com quem estaríamos conversando? Sobre o que vamos falar e quando vamos conversar?", disse.
Até o momento, quatro membros do alto escalão foram mortos desde o início do conflito no Oriente Médio:
- Ministro da Inteligência do país, Esmail Khatib;
- Ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh;
- Chefe do Conselho Supremo de Segurança, Ali Larijani;
- Líder da força paramilitar Basij, Gholamerza Soleimani.
A guerra no Oriente Médio também foi marcada pela morte do ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, no início do conflito, em 28 de fevereiro. Israel, em conjunto com os Estados Unidos, seguem à procura do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei - que não realizou nenhuma aparição pública desde que assumiu o carro que era do pai.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear.
Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (17). Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
*Com AFP e CNN
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



