O que se sabe sobre o ciberataque 'preocupante' que atingiu classe política da Alemanha
Ofensiva foi executada por meio de phishing, técnica em que o invasor se passa por uma entidade confiável para induzir as vítimas a clicar em links maliciosos

Um grave ataque cibernético à plataforma de mensagens Signal comprometeu a segurança de altos funcionários alemães e lançou dúvidas sobre a integridade das comunicações no Parlamento.
O incidente, classificado como "extremamente preocupante", foi revelado à AFP nesta sexta-feira (24) e atinge um amplo espectro da esfera pública, incluindo parlamentares do Partido Social-Democrata — que integra a coalizão governista ao lado dos conservadores — e membros da oposição, como o partido de esquerda Die Linke.
A ofensiva foi executada por meio de phishing, técnica em que o invasor se passa por uma entidade confiável para induzir as vítimas a clicar em links maliciosos ou revelar dados sensíveis.
Segundo Konstantin von Notz, parlamentar ambientalista e especialista em segurança nacional, a dimensão do ataque é alarmante e impede qualquer garantia atual de que as comunicações dos deputados permaneçam invioladas. Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público Federal informou que uma investigação por suspeita de espionagem está aberta desde fevereiro.
Embora o alvo inicial tenha sido o Legislativo, o ciberataque também se estendeu a diplomatas, militares e jornalistas investigativos. Uma porta-voz do Ministério do Interior confirmou que a operação, iniciada em fevereiro, continua em andamento e provavelmente é coordenada por um agente estatal.
Apesar do cenário crítico, o governo liderado pelo chanceler conservador Friedrich Merz tem evitado comentar publicamente a extensão total do problema, embora o porta-voz da Chancelaria, Sebastian Hille, tenha assegurado que as comunicações oficiais do governo, do chanceler e de seus ministros permanecem protegidas.
No campo das atribuições de responsabilidade, o governo alemão ainda não formalizou uma acusação direta contra Moscou. No entanto, o presidente da comissão de fiscalização parlamentar do Bundestag, Marc Henrichmann, foi enfático ao apontar a Rússia como a origem da tentativa de phishing, classificando o episódio como um severo sinal de alerta para as instituições do país.
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