Negociações entre EUA e Irã seguem na Suíça apesar de tensão e ameaça de retirada, diz Catar
Mediação internacional tenta manter conversas entre Washington e Teerã em meio a impasse diplomático

As negociações entre Estados Unidos e Irã seguem em andamento no Lago Lucerna, na Suíça, apesar de relatos de uma possível suspensão temporária por parte da delegação iraniana, informou neste domingo o primeiro-ministro e chanceler do Catar, Abdulrahman al Thani.
Em publicação nas redes sociais, Al Thani afirmou que o encontro diplomático continua e destacou a importância do processo de mediação internacional. “Acolhemos com satisfação a reunião de hoje no Lago Lucerna, na Suíça, e a continuação das negociações entre os Estados Unidos e o Irã”, escreveu.
Segundo ele, o Catar agradece o papel de países envolvidos na mediação, incluindo o Paquistão, além da Suíça, que sediou a rodada de conversas. O chanceler afirmou ainda que Doha continuará apoiando os esforços diplomáticos “até que se chegue a uma solução”, defendendo um desfecho que traga “mais paz e prosperidade” à região.
A fala ocorre após veículos iranianos noticiaram que representantes de Teerã teriam deixado a mesa de negociações em protesto contra declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As informações foram atribuídas à agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária iraniana.
As tensões aumentaram após novas declarações de Trump, que voltou a fazer ameaças diretas ao Irã em meio ao impasse diplomático. Em entrevista à rede Fox News, o presidente norte-americano afirmou que, caso Teerã bloqueie o estreito de Ormuz, o país enfrentará consequências severas.
“Eu disse a eles que, se fechassem o estreito, ficariam sem país. Nem mesmo poderão voltar para o país deles”, declarou. Trump também sugeriu a possibilidade de controle norte-americano sobre a região estratégica, citando a cobrança de tarifas sobre o transporte de petróleo.
Além disso, o presidente dos EUA responsabilizou o Irã pela escalada da violência no Líbano e voltou a pressionar o país a interromper o apoio a grupos aliados na região. Ele afirmou que, caso isso não ocorra, Washington poderá responder com novos ataques.
“Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente”, disse Trump. O cenário de incerteza ocorre em meio a tentativas de retomada do diálogo entre as duas potências, mediadas por países terceiros, enquanto persistem divergências profundas sobre segurança regional e sanções econômicas.
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