Morre Clive Davis, produtor que lançou Whitney Houston e outros astros da música
Clive Davis foi considerado um dos principais nomes da indústria fonográfica; ele morreu aos 94 anos

O produtor musical Clive Davis morreu nesta segunda-feira (22) aos 94 anos. Considerado um dos principais nomes da indústria fonográfica, ele foi responsável por guiar as carreiras de Whitney Houston, Aretha Franklin, e outros grandes nomes da música.
Clive, conhecido como "o homem com o ouvido de ouro" morreu em casa, em Manhattan, Nova York. A informação foi confirmada pela família por meio de uma publicação nas redes sociais.
No texto, os familiares mencionaram o artista como “uma figura imponente cuja influência mudou a música para sempre”. Eles também o descreveram como “o homem que liderou nossa família com graça, generosidade e gentileza”.
A causa da morte não foi revelada, mas, recentemente, Davis foi hospitalizado com problemas respiratórios.
Quem foi Clive Davis
Considerado um dos maiores executivos da história da indústria musical, Clive Davis construiu uma carreira marcada pela capacidade de identificar talentos em diferentes épocas e estilos. Ao longo de décadas, ajudou a lançar e impulsionar artistas que marcaram gerações, de Janis Joplin, nos anos 1960, a nomes como Sean "P. Diddy" Combs, no hip-hop dos anos 1990, e Kelly Clarkson, no pop dos anos 2000.
Seu trabalho rendeu cinco prêmios Grammy. Quatro deles vieram pela produção de projetos de artistas como Kelly Clarkson, Carlos Santana e Jennifer Hudson. O quinto reconheceu sua contribuição para a música como um todo. Além de revelar novos talentos, Davis também ficou conhecido por revitalizar carreiras. Foi o caso de Carlos Santana, cujo álbum *Supernatural* conquistou nove Grammys em 2000, além de artistas como Rod Stewart, Aretha Franklin e Dionne Warwick.
Nascido no Brooklyn, em Nova York, em 4 de abril de 1932, Davis formou-se na Universidade de Nova York e na Faculdade de Direito de Harvard. Antes de ingressar no mercado fonográfico, trabalhou em escritórios de advocacia. Sua trajetória na música começou no início da década de 1960, quando passou a integrar o departamento jurídico da Columbia Records, braço da CBS.
Seu primeiro grande destaque na gravadora ocorreu ao defender a permanência de Bob Dylan no selo em meio a uma disputa contratual. Pouco tempo depois, em 1966, assumiu a presidência da Columbia Records. Sob seu comando, a empresa ampliou sua presença no mercado de rock, até então pouco explorado pela companhia.
Durante esse período, Davis foi responsável por contratar artistas que se tornariam referências mundiais, entre eles Chicago, Aerosmith, Pink Floyd, Blood, Sweat & Tears, Bruce Springsteen, Santana, Billy Joel, Sly and the Family Stone e Boz Scaggs.
Em 1974, fundou sua própria gravadora, a Arista Records. Um dos primeiros nomes do catálogo foi Barry Manilow, que ajudou a consolidar o sucesso da empresa. Na nova fase, Davis passou a se especializar tanto na descoberta de talentos quanto na recuperação de carreiras de artistas que haviam perdido espaço no mercado, como Aretha Franklin, Dionne Warwick, Lou Reed e The Kinks.
O maior acerto de sua trajetória na Arista veio em 1983, quando descobriu Whitney Houston ainda adolescente. Sob sua orientação, a cantora se transformou em uma das maiores estrelas da música mundial, acumulando recordes e sucessos que lideraram as paradas.
Davis também teve participação ativa em "I Will Always Love You", trilha sonora do filme *O Guarda-Costas* (1992), estrelado por Whitney Houston e Kevin Costner. A música permaneceu por 14 semanas consecutivas no topo das paradas e se tornou um dos singles mais vendidos da história.
A relação entre os dois ultrapassou o ambiente profissional. Whitney costumava tratar Davis como alguém da família, e o executivo sofreu profundamente com a morte da artista, em 2012, após anos de luta contra a dependência química.
Mesmo após décadas de sucesso, ele enfrentou um revés em 2000, quando foi demitido pela BMG Entertainment, controladora da Arista. A saída, porém, não interrompeu sua trajetória. Davis fundou a J Records, gravadora responsável por trabalhos de destaque de artistas como Alicia Keys e Luther Vandross, além da série *American Songbook*, que resgatou clássicos das décadas de 1930 e 1940 e contribuiu para o renascimento da carreira de Rod Stewart.
Após uma série de fusões no setor musical, a J Records foi incorporada a outros selos. Em 2008, Davis assumiu o cargo de diretor criativo da Sony Music Entertainment, posição que consolidou sua influência como um dos principais nomes da indústria fonográfica mundial.
*Com CNN Brasil.
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