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Milei e Papa Francisco têm encontro marcado após atritos na eleição da Argentina

Reunião no Vaticano reúne pela primeira vez os líderes argentinos de ideologias opostas, após a posse do governo ultraliberal

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Javier Milei e Papa Frascisco conversaram por 8 minutos ao telefone
Javier Milei e Papa Frascisco conversaram por 8 minutos ao telefone  • LUIS ROBAYO /ANDREAS SOLARO /AFP

O presidente da Argentina, Javier Milei, tem o primeiro encontro marcado com o Papa Francisco, no Vaticano, neste domingo (11). Durante as eleições, o candidato ultra-liberal fez alguns ataques ao pontífice, que é seu conterrâneo, e tentam selar a “paz” após a posse do novo governo.

O encontro reúne os líderes de ideologias opostas: Milei é ultraliberal, enquanto o Papa faz a defesa dos mais pobres e a proteção do meio ambiente.

Milei chamou o Papa de “jesuíta que promove o comunismo” e representante “maligno” de Deus. Ele pediu desculpas durante um debate presidencial, no segundo turno das eleições.

Novo capítulo

Milei acompanhará, na Basílica de São Pedro, a canonização da primeira santa argentina: a beata María Antonia de Paz y Figueroa, conhecida como Mama Antula (1730-1799), defensora do legado jesuíta e pioneira dos direitos humanos.

A cerimônia será a primeira ocasião para o presidente Miley cumprimentar o Papa Francisco, ex-arcebispo de Buenos Aires. Na segunda-feira (12), os dois têm uma conversa marcada, em audiência agendada na Santa Sé.

Uma das principais pautas da reunião será se o Papa Francisco viajará este ano a Argentina, onde não visita desde que foi eleito líder da Igreja Católica, em 2013.

Milei convidou Francisco para visitar o país no mês passado. Em uma carta, o presidente disse que a sua vinda traria "pacificação e fraternidade para todos os argentinos, ávidos por superar divisões e confrontos".

A carta serviu como um pedido público de desculpas, após os insultos que Milei fez ao Papa quando era comentarista de televisão e candidato à presidência.

O próprio Francisco minimizou a questão em uma entrevista, dizendo que é preciso distinguir o que “um político diz na campanha” e o que “realmente vai fazer depois (de eleito)".

Ponto de encontro

Sergio Rubín, jornalista e biógrafo do papa, vê um ponto de encontro entre os líderes na carta que Milei convida Francisco para ir à Argentina.

Nela, o presidente defende a proteção dos "compatriotas vulneráveis" as reformas que tentam corrigir a crise econômica da Argentina, que tem uma inflação anual superior a 200%, com 40% da população vivendo na faixa da pobreza.

Rubin acredita que a defesa da “unidade dos argentinos”, em meio a polarização política, e o impacto dos ajustes econômicos do governo devem fazer parte da reunião.

Desde que assumiu o cargo em 10 de dezembro de 2023, Milei iniciou um processo de liberalização de preços e desvalorizou a moeda em 50%.

*Com informações da AFP

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.