Meta e YouTube devem indenizar jovem em U$3 milhões por danos psicológicos
Este foi o primeiro julgamento que responsabilizam redes sociais sobre o vício em redes sociais entre as crianças

Um júri de Los Angeles, nos Estados Unidos, considerou, nesta quarta-feira (25), a Meta e o YouTube como responsáveis por causar danos psicológicos e vício a uma jovem de 20 anos, identificada como Kaley G.M. As plataformas devem pagar U$3 milhões em indenização (cerca de R$15 milhões).
Ela alega ter tido grave dano mental por ter se tornado dependente das redes sociais quando era mais nova. A mulher ainda alegou que as redes aumentaram a depressão dela e os pensamentos suicidas, além de ter sido vítima de bullying e extorsão. As empresas foram acusadas, em centenas de processos, de levar crianças à dependência em conteúdo, o que pode resultar em transtornos alimentares, internações psiquiátricas e até suicídios.
O júri popular realizado nesta semana destacou que o design dessas plataformas de mídia social são viciantes. A decisão pode mudar a lógica como a indústria da tecnologia lida com a responsabilidade legal pela saúde mental dos usuários jovens.
A primeira audiência aconteceu em 9 de fevereiro. Inicialmente, o banco dos réus estavam ocupados pelos gigantes tecnológicos Alphabet, matriz do Google, proprietário do YouTube, a Meta, dona do Instagram, ByteDance, empresa criadora do TikTok, e o SnapChat. As duas últimas plataformas chegaram a um acordo confidencial para encerrar o processo.
É esperado que vários casos devem ir a julgamento este ano, todos com acusações parecidas sobre o vício em redes sociais entre as crianças.
Rede social alertará pais sobre buscas de conteúdos sobre suicídio
A Meta, empresa responsável pelo Instagram, anunciou, em fevereiro deste ano, que alertará os pais quando os filhos buscarem conteúdos sobre suicídio. O aviso será acionado quando um adolescente utilizar um perfil na rede social para fazer múltiplas pesquisas sobre o assunto em curto período de tempo. A empresa informou ter consultado eu Grupo Assessor sobre Suicídio e Autolesão para definir o limite de disparo das notificações.
Inicialmente, as notificações começarão a ser implementadas nas próximas semanas nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Canadá. A expansão para outros países está prevista para o fim do ano. Os alertas funcionarão para pais que utilizam as ferramentas de supervisão do Instagram. Assim, eles receberão avisos por e-mail, SMS ou WhatsApp, além de notificações no próprio aplicativo. Segundo a Meta, também serão disponibilizados recursos elaborados por especialistas para auxiliar em conversas consideradas difíceis com os filhos.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



