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Israel estabelece ultimato ao Hamas para libertar reféns antes do Ramadã; entenda

A celebração religiosa marca o mês sagrado do islamismo, com jejum e orações na Faixa de Faza

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Conflito na Faixa de Gaza
Jack Guez/ AFP

Israel alertou que a violência continuará na Faixa de Gaza durante o mês sagrado do Ramadã, na cultura islã, se o grupo terrorista Hamas não libertar todos os sequestrados no ataque de 7 de outubro.

O governo israilense anunciou que se os reféns não forem libertados até o início do Ramadã em 10 de março, os combates se estenderam por toda a região, incluindo Rafah, no sul de Gaza - onde grande parte da população palestina está refugiada.

Pela primeira vez, o governo israelense estabeleceu um prazo para um possível ataque a Rafah, a última cidade de Gaza que foi não invadida durante os quatro meses de conflito no Oriente Médio.

As Forças Armadas de Israel concentram os ataques no sul de Gaza, particularmente em torno de Khan Yunis e Rafah. Imagens divulgadas mostram intensos combates em casas e tanques abrindo caminho entre os destroços da Faixa de Gaza.

Ramadã

Em 2024, o Ramadã irá começar no dia 10 de março e terminará no dia 8 de abril. Segundo a tradição islâmica, a celebração marca o mês sagrado em que o Alcorão foi revelado ao profeta Maomé.

Durante o Ramadã, os muçulmanos fazem jejum desde o amanhecer até o pôr do sol. Isso significa que eles se abstêm de comer, beber, fumar e ter relações sexuais.

Além do jejum físico, os praticantes também se dedicam à oração, reflexão espiritual e ao ato de caridade.

O final do Ramadã é marcado pelo Eid al-Fitr, que celebra o término do jejum com orações, doações e festividades. A invasão israilense afeta as tradições islâmicas, principalmente no cenário devastador que se encontra a Faixa de Gaza.

Por outro lado, o ataque do Hamas a Israel aconteceu no mesmo dia do “Yom Kippur”, a data mais sagrada do judaísmo, em 7 de outubro de 2023. Na tradição judaica, a data é dedicada ao arrependimento, jejum e a reconciliação com Deus e os outros.

Uma guerra homônima começou na mesma época sagrada, há 50 anos, em 6 de outubro de 1973, quando países árabes liderados por Egito e Síria promoveram um ataque a Israel, que resultou em 19 dias conflito - vencido, do ponto de vista militar, pelo Exército israilense.

Negociações delicadas

Mediadores internacionais buscam uma trégua em Cairo para o conflito entre Israel-Hamas no Egito, mas as negociações avançam lentamente.

O governo dos EUA, aliado histórico de Israel, pressiona por uma trégua de seis semanas em troca da libertação de reféns. Em novembro, os dois países estabeleceram uma semana de cessar-fogo para a troca de reféns e prisioneiros palestinos.

Cerca de 250 pessoas foram sequestradas pelo Hamas em Israel, no ataque terrorista de 7 de outubro. A maioria deles continua refém, enquanto outros já foram libertados ou morreram em meio aos ataques.

A resposta militar israelense ao ataque do Hamas resultou em mais de 29 mil mortos palestinos, de acordo com o Min. de Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. A grande maioria das vítimas são civis.

O Conselho de Segurança da ONU pretende discutir uma nova resolução exigindo um cessar-fogo na região, mas os EUA indicaram a possibilidade de vetar o texto em favor do acordo para troca de reféns.

Enquanto isso, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) realiza audiências sobre as consequências legais da ocupação israelense dos territórios palestinos desde 1967, com a Autoridade Palestina denunciando "colonialismo e apartheid" por parte do Estado judeu.

*Com informações da AFP

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PorFormado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.