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Após ter refinarias de petróleo atingidas, Israel ataca novamente o Irã

Este é o terceiro dia de uma escalada militar sem precedentes entre as duas nações rivais

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Prédio em Israel destruído após ataque do Irã
Ao todo, vítimas que estavam em ao menos sete países já perderam a vida por conta dos ataques

A tensão no Oriente Médio atinge um novo patamar. Israel lançou, neste domingo (15), novas ofensivas contra o Irã, em retaliação aos mísseis iranianos disparados contra o Norte do território israelense. Este é o terceiro dia de uma escalada militar sem precedentes entre as duas nações rivais.

Novas províncias iranianas sob ataque

Na noite de sábado, o Irã acionou sua defesa antiaérea em diversas províncias, incluindo Teerã, para se defender dos ataques israelenses. A ação ocorreu após a promessa do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de atingir "todos os alvos do regime".

Em resposta, o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, declarou que haverá "uma resposta mais severa e poderosa" caso as investidas militares de Israel persistam.

Ofensiva e contraofensiva marcam conflito

Israel iniciou, na sexta-feira, bombardeios contra locais militares e nucleares no Irã. As incursões resultaram em vítimas fatais, incluindo cientistas nucleares e altos comandantes da Guarda Revolucionária Iraniana — o exército ideológico do país —, além de centenas de feridos.

No sábado, as Forças Armadas israelenses reportaram disparos de mísseis em resposta a ataques vindos do Irã e orientaram a população a procurar abrigos.

Entre a noite de sábado e as primeiras horas de domingo, a Força Aérea de Israel atacou diversos complexos da defesa iraniana, incluindo lançadores de mísseis, o Ministério da Defesa e instalações ligadas a "projetos de armas nucleares".

"Atacaremos todos os alvos do regime dos aiatolás", afirmou Netanyahu, contando com o apoio explícito do presidente americano, Donald Trump. "Infligimos um verdadeiro golpe ao programa nuclear do Irã", complementou.

Israel, contudo, também foi alvo. As Forças Armadas israelenses informaram, no sábado à noite, o confinamento da população em abrigos após a detecção de "disparos de mísseis vindos do Irã". O nível de alerta foi posteriormente reduzido, e os israelenses foram instruídos a deixar os abrigos, mantendo-se "próximos" a eles, conforme comunicado oficial.

O Magen David Adom, equivalente à Cruz Vermelha em Israel, confirmou a morte de uma mulher de aproximadamente 20 anos, resgatada dos escombros de uma casa em Haifa, no norte do país. O serviço de emergência havia reportado anteriormente "14 feridos em uma casa [...] na Galileia Ocidental, um deles em estado grave".

Bombardeios em Teerã e repercussões

Na madrugada deste domingo, o Irã anunciou o lançamento de uma nova leva de mísseis contra Israel, em retaliação aos bombardeios de sexta-feira. "Uma nova onda da operação Promessa Honesta 3 começou há alguns minutos", informou a televisão estatal iraniana por volta das 03h10 locais (20h40 de sábado em Brasília).

A Guarda Revolucionária detalhou que "instalações de produção de combustível para os aviões de combate [israelenses] e centros de abastecimento de energia (...) foram atacados por drones e mísseis".

Por sua vez, os bombardeios israelenses atingiram dois depósitos de combustível em Teerã, conforme comunicado pelo Ministério do Petróleo iraniano na manhã de domingo. "O depósito de petróleo de Shahran (noroeste de Teerã) e outro no sul [da cidade] foram atacados pelo regime sionista", acrescentou. Um jornalista da AFP presenciou o depósito de Shahran em chamas.

A agência iraniana Tasnim reportou ainda que "a sede do Ministério da Defesa foi atacada. Um dos edifícios da sede foi levemente danificado".

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Negociações nucleares interrompidas

A nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, conduzida por Estados Unidos e Irã e prevista para domingo, foi cancelada.

Pezeshkian declarou, em telefonema ao seu homólogo francês, Emmanuel Macron, que o Irã "não se sentará à mesa de negociações enquanto o regime sionista continuar com seus ataques".

Israel afirma possuir informações de inteligência indicando que o Irã se aproxima de um "ponto sem retorno" no desenvolvimento de uma bomba atômica.

Donald Trump, presidente americano, afirmou no sábado que ele e o presidente russo, Vladimir Putin, concordaram em um telefonema que a guerra entre Irã e Israel "precisa acabar".

Enquanto líderes mundiais clamam por moderação, o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, acusou Israel de arrastar o Oriente Médio para um "perigoso ciclo de violência".

"Em Busca de Abrigo": O cenário em Israel

O Exército israelense publicou no domingo, na rede social X, que milhões de cidadãos "corriam em busca de abrigo ao soar das sirenes" em diversas cidades e comunidades do país.

Registraram-se danos significativos na região de Tel Aviv, onde equipes de resgate reportaram três mortos e diversos feridos.

"Estou (...) atônito com o que aconteceu", disse Eliyahu Bachar, morador de Ramat Gan, próximo a Tel Aviv. "Ouvimos um grande estrondo, sabíamos que era algo sério", relatou Tal Friedlander, outro residente.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou que "Teerã arderá" se o Irã mantiver os disparos de mísseis contra Israel.

Meios de comunicação iranianos informaram sobre ataques em várias províncias do noroeste e oeste, algumas das quais abrigam bases militares.

Um chefe da polícia iraniana e cinco membros da Guarda Revolucionária morreram no sábado em ataques no oeste e centro do país, segundo a imprensa local.

*Com informações de AFP

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Graduado em Jornalismo e Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Atuou como repórter das editorias de Política, Economia e Esportes antes de assumir o cargo de chefe de reportagem do portal da Itatiaia.