Irã nega proposta de cessar-fogo de 48 horas após atacar os EUA
Negativa ocorre em meio a queda de duas aeronaves dos EUA, atingidas pelo Irã, nesta sexta (3)

O Irã rejeitou uma proposta feita pelos Estados Unidos para um cessar-fogo de 48 horas, de acordo com a agência de notícias iraniana Fars, nesta sexta-feira (3). Segundo a agência, uma fonte informou que a proposta americana foi feita por meio de um país aliado.
"Avaliações indicam que essa proposta foi feita após a intensificação da crise na região e o surgimento de sérios problemas para as forças militares dos EUA, decorrentes de uma estimativa equivocada das capacidades militares da República Islâmica do Irã", disse a fonte à Fars. Ainda conforme a fonte da agência iraniana, a resposta do Irã a essa proposta "não foi dada por escrito, mas sim de forma prática, com a continuidade de ataques pesados".
A negativa ocorre em meio ao abate de duas aeronaves dos EUA pelo Irã, nesta sexta (3): um caça F-15E e uma aeronave de ataque A10. Um dos dois tripulantes a bordo do F-15 foi resgatado durante a manhã, mas não há detalhes sobre seu estado de saúde. Já o piloto do A-10 conseguiu alcançar o espaço aéreo do Kuwait com o avião danificado e ejetar, sendo resgatado em seguida. A derrubada do segundo avião ainda não foi confirmada pelo Pentágono.
Conforme o The Washington Post, dois helicópteros Black Hawk americanos envolvidos no resgate foram ainda atingidos por fogo iraniano, ferindo tripulantes a bordo, mas retornaram em segurança à base. Os desdobramentos foram confirmados ao jornal americano por três autoridades dos EUA sob condição de anonimato, contradizendo afirmações do governo Trump de que as forças americanas haviam obtido superioridade aérea sobre o Irã.
Israel está auxiliando os Estados Unidos na operação de busca e resgate, segundo um oficial militar israelense a par da situação, que falou sob condição de anonimato antes de um anúncio oficial dos EUA.
Esta seria a primeira vez que os EUA perdem uma aeronave em território iraniano e representa uma escalada dramática na guerra desde seu início, há cinco semanas. Não ficou claro se o caça foi abatido ou caiu. O número de tripulantes a bordo não foi divulgado imediatamente.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



