Irã ‘fracassa’ em ataque à base militar marítima dos EUA
País tentou, sem sucesso, atingir instalação militar dos Estados Unidos no oceano Índico em zona cedida pelo Reino Unido

O Irã tentou, sem sucesso, atingir a base britânico-americana de “Diego Garcia”, no meio do oceano Índico. O Wall Street Journal afirmou na sexta-feira (21) que Teerã havia lançado dois mísseis balísticos nessa direção.
A base de Diego Garcia fica a cerca de quatro mil quilômetros do território iraniano e está localizada em uma ilha isolada do arquipélago de Chagos, território britânico. É uma das duas bases que o Reino Unido permitiu que os Estados Unidos utilizem em "operações defensivas específicas contra o Irã". Nela estão estacionados submarinos nucleares, bombardeiros e destróieres.
Neste sábado, a fonte oficial britânica confirmou que o "ataque fracassado [do Irã] contra Diego Garcia" ocorreu antes de o Reino Unido anunciar, na sexta-feira, que permitiria que Washington utilizasse essa base e outra localizada no sudoeste da Inglaterra. A fonte não confirmou outros detalhes sobre o ataque.
O Wall Street Journal, citando autoridades americanas, afirmou que nenhum dos dois mísseis balísticos atingiu seu alvo, mas indicou que esse lançamento pode sugerir que Teerã possui mísseis com alcance maior do que se pensava. Consultado pela Agência France-Presse (AFP), o Pentágono se recusou a comentar o assunto.
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"O Irã lançou um míssil balístico intercontinental de dois estágios, com alcance de 4.000 quilômetros, contra um alvo americano na ilha de Diego Garcia", afirmou o chefe do Estado-Maior israelense, o tenente-general Eyal Zamir, em entrevista à televisão.
"Esses mísseis não estão destinados a atingir Israel. Seu alcance chega a capitais europeias: Berlim, Paris e Roma estão todas sob ameaça direta", acrescentou.
Segundo Tom Sharpe, ex-comandante da Marinha Real britânica e especialista do Royal United Services Institute (RUSI), em Londres, Teerã "sempre teve mísseis com esse alcance".
Para ele, a tentativa mostra que os iranianos ainda são "capazes de deslocar lançadores móveis sem serem detectados, colocá-los em posição e disparar sem serem atingidos". Ainda assim, isso não "muda o rumo" da guerra, afirmou à AFP.
Em 2025, o Reino Unido assinou um acordo para devolver o arquipélago de Chagos às Ilhas Maurício, mas manteve o arrendamento da base de Diego Garcia por 99 anos.
*Com informações da AFP
(Sob supervisão de Lucas Negrisoli)
Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.



