Irã rebate Trump após anúncio de pedágio em Ormuz: 'É nosso há milhares de anos'
Agência iraniana Tasnim afirma que gestão do Estreito de Ormuz é do Irã, contestando fala de Donald Trump de que EUA controlariam e cobrariam pedágio na via. A região vive escalada de tensões e ataques

A agência de notícias semioficial Tasnim, do Irã, afirmou nesta segunda-feira (13) que a administração do Estreito de Ormuz é de seu país, rebatendo declarações do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos controlariam a via e cobrariam um pedágio. A tensão entre os dois países escalou com trocas de ataques e pronunciamentos sobre o controle da rota marítima vital.
"A segurança e a gestão de Ormuz são determinadas pela vontade do Irã, e não pelos tuítes de Trump ou pela presença de navios de guerra.Trump esqueceu que o Estreito de Ormuz pertencia ao Irã milhares de anos antes da fundação dos Estados Unidos", afirmou a agência.
Trump disse nesta segunda-feira que os EUA provavelmente assumiriam o controle do Estreito de Ormuz e deveriam ser reembolsados por controlar a via.
"Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Seremos os guardiões do estreito. Talvez o chamemos de 'anjo da guarda' do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso", disse ele em uma entrevista por telefone ao programa "Fox & Friends", da emissora Fox News.
A autoridade de segurança informou ainda que "o comportamento provocativo e recorrente dos EUA levará a uma ampliação das ações do Irã; os EUA e seus aliados devem aceitar as nossas medidas".
O controle do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o abastecimento global de petróleo, tornou-se um dos principais palcos do conflito. O bloqueio efetivo do estreito pelo Irã elevou os preços da energia e aumentou as preocupações com a inflação em nível global.
O presidente americano também anunciou nesta segunda-feira que Washington vai cobrar um pedágio de 20% no Estreito de Ormuz e que o bloqueio aos portos iranianos será retomado.
Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump disse que o estreito está aberto e que os Estados Unidos são o "guardião" da via. "Estamos restabelecendo o BLOQUEIO IRANIANO, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos", disse ele.
"Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como 'O GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ', mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo", escreveu o presidente.
Sobre o bloqueio aos portos, Trump afirmou que a medida impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos. Todos os outros países terão uso livre e irrestrito do Estreito de Ormuz.
Forças dos EUA e do Irã trocaram ataques intensos com mísseis e drones durante o fim de semana e nesta segunda-feira; Teerã declarou ter atingido instalações militares americanas em toda a região do Golfo e mantido o Estreito de Ormuz fechado, o que impulsionou a alta dos preços do petróleo.
Essas trocas de ataques mais recentes marcam uma escalada acentuada tanto no ritmo quanto na abrangência geográfica das hostilidades na última semana, lançando dúvidas sobre um acordo provisório entre EUA e Irã — assinado no mês passado — para reabrir o estreito e suspender as hostilidades enquanto ambos os lados buscavam um período adicional de 60 dias de negociações.
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