Irã e EUA trocam ataques enquanto disputa por Ormuz se intensifica
O Irã disparou mísseis balísticos contra uma base aérea dos Estados Unidos na Jordânia; a escalada do conflito pelo controle do Estreito de Ormuz elevou os preços do petróleo, gerando preocupações globais

O Irã disparou mísseis balísticos contra uma base aérea dos Estados Unidos na Jordânia nesta terça-feira (14), e os EUA atacaram alvos iranianos durante cinco horas em uma batalha pelo controle do Estreito de Ormuz que elevou os preços do petróleo aos níveis mais altos em quatro semanas.
As forças americanas lançaram ondas de ataques pela terceira noite consecutiva, depois que o Irã anunciou no sábado (11) o fechamento do estreito — medida que levou o presidente americano, Donald Trump, a restabelecer o bloqueio à navegação iraniana e a propor a cobrança de uma taxa de 20% para proteger a via navegável estratégica.
Os ataques aumentaram as dúvidas sobre se um acordo provisório firmado no mês passado levará à interrupção definitiva de um conflito que já dura mais de quatro meses, o qual tem prejudicado o abastecimento global de energia e gerado receios de uma alta da inflação em todo o mundo.
Analistas da região afirmaram que as hostilidades permaneciam dentro de limites controlados por enquanto, com ambos os lados buscando vantagem para um eventual acordo de paz, mas que ainda havia o risco de o conflito sair de controle.
"Duvido que os dois lados retomem uma guerra em larga escala, especialmente porque Trump sairia prejudicado — embora também exista uma possibilidade real de que os iranianos exagerem na dose. O mesmo vale para Trump, é claro", disse Yezid Sayigh, pesquisador sênior do Carnegie Middle East Center.
A guerra tem se mostrado impopular nos Estados Unidos, onde os preços da gasolina subiram desde o início do conflito, em meio à proximidade das eleições legislativas de novembro.
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta terça-feira (14), com os contratos futuros do petróleo Brent (LCOc1) ultrapassando a marca de US$ 86 por barril, mas ainda permaneciam bem abaixo do pico registrado desde o início da guerra.
Os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro; Teerã revidou atacando Israel e países do Golfo que abrigam bases americanas. A guerra também reacendeu o conflito entre Israel e militantes do Hezbollah no Líbano. O conflito deixou milhares de mortos e milhões de deslocados, a grande maioria no Irã e no Líbano.
O Líbano e Israel deveriam retomar as negociações nesta terça-feira (14), em Roma, com Beirute buscando avanços para garantir a retirada israelense do sul do Líbano, no âmbito de um acordo mediado pelos Estados Unidos.
Nos ataques mais recentes desse conflito mais amplo, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) informou que uma base aérea dos EUA na Jordânia foi alvo de mísseis balísticos.
As forças armadas da Jordânia declararam ter interceptado e abatido quatro mísseis que entraram no espaço aéreo jordaniano vindos do território iraniano, segundo informações de uma agência de notícias estatal.
A IRGC afirmou em um comunicado que "não apenas não nutrimos nenhuma inimizade pelo seu país, como também os amamos", ao mesmo tempo em que instou a Jordânia a desmantelar as bases americanas no reino.
A mídia iraniana noticiou ataques dos EUA contra várias cidades e informou que quatro pessoas ficaram feridas e operações de resgate estavam em andamento.
As hostilidades se intensificaram desde que o Irã anunciou, no final do sábado (11), o fechamento do Estreito de Ormuz após disparar um tiro de advertência que atingiu uma embarcação que navegava por uma rota considerada não autorizada.
Trump afirmou na segunda-feira (13), na Truth Social, que o estreito estava aberto e permaneceria aberto, com ou sem o Irã. "Estamos restabelecendo O BLOQUEIO AO IRÃ", disse Trump, anunciando que os EUA cobrariam uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pelo local.
O Irã também buscou estabelecer seu controle sobre o estreito e um sistema de cobrança de taxas, alertando as embarcações para que não navegassem sem sua autorização.
O alto comando militar conjunto do Irã afirmou que os EUA não tinham qualquer papel na definição do futuro daquela via navegável.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, escreveu na rede social X que Teerã era o guardião do estreito e assim permaneceria "para sempre", acrescentando, em resposta a Trump: "20% é, obviamente, demais. Seremos justos."
Mais tarde, na segunda-feira (13), o presidente americano disse que o Irã seria atingido "com muita força esta noite, e vamos atingi-los com força amanhã. E não há absolutamente nada que eles possam fazer a respeito."
Antes do início do conflito, em fevereiro, cerca de um quinto do tráfego mundial de petróleo e gás passava diariamente pelo Estreito de Ormuz, transportando para os mercados globais mais de 15 milhões de barris de combustível, avaliados em pelo menos 1,2 bilhão de dólares.
Se os EUA impusessem uma taxa de 20%, isso poderia gerar cerca de 240 milhões de dólares por dia.
A agência da ONU responsável pelo setor de navegação declarou-se contrária a quaisquer taxas sobre estreitos utilizados para navegação internacional e afirmou que não existe base legal para a instituição de pedágios obrigatórios para a passagem por esses estreitos.
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou, na segunda-feira (13), que mísseis de cruzeiro iranianos atingiram dois navios-tanque emiradenses enquanto navegavam pela rota sul do estreito, em águas territoriais de Omã.
Um tripulante indiano morreu e outros oito ficaram feridos, comunicou o ministério nesta terça-feira (14).
A IRGC afirmou que dois superpetroleiros "infratores" foram atingidos e imobilizados no estreito após ignorarem repetidos avisos e desligarem seus sistemas de navegação, segundo relatos da mídia iraniana.
O comunicado do IRGC não identificou as embarcações nem informou se eram os mesmos navios-tanque citados pelo ministério dos Emirados Árabes Unidos.
No entanto, acusou os EUA de "incitarem embarcações a utilizar uma rota ilegal" e alertou que a cooperação com o "inimigo agressor" resultaria em danos, atrasos na reabertura da via navegável e uma crise energética global.
O Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA, informou que um bloqueio ao Irã entraria em vigor às 17h (horário de Brasília) desta terça-feira (14) e se aplicaria a todo o tráfego de embarcações, independentemente da bandeira, abrangendo toda a costa iraniana, incluindo portos e terminais de petróleo.
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