EUA e Irã voltam a trocar ataques em disputa pelo controle do Estreito de Ormuz
De acordo com o Ministério da Saúde iraniano, os ataques deixaram 14 mortos e 78 feridos, dos quais 47 permaneciam hospitalizados

Estados Unidos e Irã anunciaram novos ataques nesta quinta-feira (9), pelo segundo dia seguido de confrontos, em meio à escalada da disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito.
O governo iraniano reforçou que pretende estabelecer regras próprias para a navegação na região. Segundo Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador de Teerã, o estreito só será totalmente aberto sob "disposições iranianas". Já Washington defende a livre circulação de embarcações, sem cobrança de pedágios ou tarifas.
Ataques dos dois lados
As Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram ter realizado bombardeios contra 90 alvos militares iranianos, incluindo sistemas de defesa aérea, depósitos de mísseis e bases de drones. Segundo Washington, a operação teve como objetivo reduzir a capacidade do Irã de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz.
De acordo com o Ministério da Saúde iraniano, os ataques deixaram 14 mortos e 78 feridos, dos quais 47 permaneciam hospitalizados.
Em resposta, a Guarda Revolucionária informou ter atingido bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait. O Exército iraniano também reivindicou ataques contra alvos militares no Catar, Kuwait e Bahrein.
A imprensa estatal do Irã afirmou que foram atingidos um sistema antimísseis Patriot no Kuwait, um sistema de alerta antecipado no Catar e tanques de combustível no Bahrein, utilizando drones militares.
Além disso, veículos de comunicação iranianos informaram que bombardeios americanos atingiram uma ponte ferroviária no nordeste do país, interrompendo a circulação de trens entre Teerã e Mashhad.
Trump fala em retaliação, mas mantém diálogo em aberto
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que os bombardeios representam uma resposta aos ataques iranianos contra navios comerciais.
"Isto é uma retaliação pelo bombardeio de navios de ontem por parte do Irã. Se voltar a acontecer, será muito pior", escreveu Trump na rede Truth Social.
Apesar do endurecimento do discurso, o presidente afirmou posteriormente que o governo iraniano entrou em contato para discutir um possível acordo, embora não tenha revelado detalhes das conversas.
Disputa pelo Estreito de Ormuz
Desde o início da guerra, desencadeada após os ataques israelenses e americanos de 28 de fevereiro, o Irã passou a defender o controle da navegação no Estreito de Ormuz, incluindo a cobrança de pedágios e restrições à passagem de embarcações.
Segundo Teerã, navios que desrespeitarem as regras impostas pelo país poderão ser alvo de ações militares. Nos últimos dias, pelo menos três embarcações foram atacadas na região, episódio que motivou a nova ofensiva americana.
Apelos por uma solução diplomática
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu medidas imediatas para reduzir a tensão e defendeu a retomada das negociações.
O governo iraniano também informou que o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, conversou por telefone com o primeiro-ministro do Catar, Mohamed bin Abdulrahman Al Thani. Segundo Teerã, ambos destacaram a necessidade de buscar uma solução diplomática para o conflito.
Enquanto isso, Omã — país que faz fronteira com o Estreito de Ormuz e atua como mediador entre Washington e Teerã — condenou os ataques contra navios e países do Golfo, mas evitou atribuir responsabilidade direta ao Irã.
De acordo com a Organização Marítima Internacional, cerca de 6 mil marinheiros permanecem bloqueados na região devido aos confrontos e às restrições impostas à navegação.
*Com AFP News
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



