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Indígenas e quilombolas se reúnem com autoridades australianas em busca de justiça pela tragédia em Mariana

A mineradora BHP, que era sócia da Vale na Samarco, é de origem anglo australiana. O processo contra a multinacional na justiça inglesa deve ocorrer em abril de 2024

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Reunião entre atingidos e autoridades na Austrália
Reunião entre atingidos e autoridades na Austrália  • Divulgação Escritório Pogust Goodhead

Um grupo de quilombolas e indígenas das etnias Krenak, Pataxó, Tupiniquim e Guarani passaram a semana na Austrália em reuniões com autoridades em busca de justiça pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. A Austrália é o país de origem da mineradora BHP Billiton, que tem sede na Inglaterra, e era sócia da Vale na Samarco, empresa responsável pela barragem que rompeu em 2015, em Minas Gerais, matando 19 pessoas e contaminando todo o Rio Doce.

O processo movido na justiça inglesa busca reparação para 700 mil vítimas da tragédia. Na última quinta-feira (14), representantes dos atingidos de comunidades tradicionais foram recebidos pelo embaixador brasileiro na Austrália, Claudio Frederico de Matos Arruda. No encontro, eles trataram da ação coletiva e do impacto contínuo que a tragédia provocou nas comunidades indígenas de Minas Gerais e Espírito Santo. O grupo, que também se encontrou com senadores, ministros e ONGs australianas, retorna ao Brasil neste domingo (17).

A previsão é que o julgamento ocorra em outubro de 2024, na Inglaterra.

Resposta

A multinacional enviou nota em que rebate a necessidade de os atingidos moverem ação contra a mineradora na justiça inglesa. Leia na íntegra:

"A BHP refuta integralmente os pedidos formulados na ação ajuizada no Reino Unido e continuará com sua defesa no processo, que é desnecessário por duplicar questões já cobertas pelo trabalho contínuo da Fundação Renova, sob a supervisão dos tribunais brasileiros, e objeto de processos judiciais em curso no Brasil.

A BHP Brasil continua trabalhando em estreita colaboração com a Samarco e a Vale para apoiar o processo de reparação em andamento no Brasil. A Fundação Renova promoveu avanços significativos no pagamento de indenizações individuais, tendo realizado pagamentos a mais de 427 mil pessoas, incluindo comunidades tradicionais como quilombolas e povos indígenas. A Renova já desembolsou mais de R$ 30 bilhões em ações de reparação, sendo aproximadamente 50% desse valor foi pago diretamente às pessoas atingidas por meio de indenizações individuais. No total, mais de 200 mil autores no processo da Inglaterra já receberam pagamentos no Brasil".

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.