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Guerra no Oriente Médio 'não atende aos interesses comuns', denuncia Xi em cúpula do Brics

Encontro de líderes em Nova Délhi é marcado por críticas aos Estados Unidos, impactos no comércio global, disparada do petróleo e debates sobre segurança energética e hegemonia comercial

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Guerra no Oriente Médio 'não atende aos interesses comuns', denuncia Xi em reunião do Brics • ALEXANDER KAZAKOV / POOL / AFP

O presidente da China, Xi Jinping, afirmou neste sábado (12), durante a cúpula do Brics em Nova Délhi, na Índia, que a guerra no Oriente Médio desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã “não atende aos interesses comuns” do planeta. O conflito é um dos principais temas do encontro de dois dias, que reúne líderes globais como o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o presidente russo, Vladimir Putin, e o mandatário iraniano, Masud Pezeshkian. O Brasil é representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue em campanha eleitoral.

As tensões na região ganharam novos contornos após a tomada do Estreito de Bab el-Mandeb pelos rebeldes houthis do Iêmen — grupo pró-iraniano. A passagem conecta o oceano Índico ao mar Vermelho e é uma rota vital para cargueiros com destino à Europa. A situação pressiona a Arábia Saudita, já que o Irã também mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz, na outra extremidade da Península Arábica.

Diante do gargalo em Ormuz e das pressões ocidentais, a Índia optou por comprar petróleo russo com autorização dos Estados Unidos. A escalada do conflito, somada ao bloqueio marítimo, fez com que os preços do petróleo voltassem a ultrapassar o patamar simbólico de 100 dólares por barril nesta semana.

Críticas aos EUA e apelo por prudência

Durante a cúpula, o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, endureceu o tom contra Washington em meio à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, onde Teerã passou a cobrar taxas por "serviços marítimos". "Não precisamos de um policial na região: a integridade territorial e a segurança regional só poderão ser garantidas por seus principais atores e pelos países que a compõem", declarou Pezeshkian.

Pouco depois dos discursos, os 11 membros do Brics emitiram uma declaração conjunta exigindo "máxima prudência" no Oriente Médio para evitar a ampliação da crise. O grupo também condenou ataques deliberados contra infraestruturas civis e instalações nucleares pacíficas salvaguardadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Representando 40% do PIB mundial e mais de 25% do comércio global, o bloco busca ampliar sua influência sobre a segurança energética e debater alternativas às instituições dominadas por potências ocidentais.

Comércio e aproximação diplomática

Outro ponto de destaque no evento é o debate sobre o domínio econômico da China, que movimenta o comércio com parceiros do Brics, como a Índia. Xi Jinping defendeu que os países membros "rejeitem toda forma de protecionismo" e apoiem o sistema comercial multilateral centrado na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A viagem de Xi à Índia marca a primeira visita do líder chinês ao país desde 2019, após o confronto militar de 2020 na fronteira disputada no Himalaia. Neste sábado, Xi e Modi se reuniram para dar continuidade ao lento processo de reestabelecimento das relações bilaterais entre as duas potências asiáticas.

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Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.

 

 

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