Guerra no Oriente Médio: Israel diz ter destruído 70% da produção de aço do Irã
Material é usado como matéria-prima para armamentos; Benjamin Netanyahu aguarda aval dos EUA para continuar ataques

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou, neste sábado (4), que destruiu 70% da capacidade de produção de aço do Irã, após atacar plantas petroquímicas do país persa. A declaração foi divulgada em um canal de mensagens do premiê.
“Prometi a vocês que continuaríamos a esmagar o regime terrorista em Teerã, e é exatamente isso que estamos fazendo. Depois de destruirmos 70% da capacidade deles de produzir aço, que serve como matéria‑prima para as suas armas, hoje atingimos as plantas petroquímicas”, escreveu Netanyahu.
Os ataques aconteceram em uma zona petroquímica no sudoeste do país, deixando cinco feridos, informou a mídia estatal do Irã. Segundo um porta-voz militar de Israel, a planta atingida produzia materiais usados na fabricação de explosivos e mísseis.
Israel também anunciou que está se preparando para atacar outras intalações de energias do Irã. Mas, o país aguarda o aval dos Estados Unidos, informou um alto funcionário da defesa israelense à CNN Internacional. A fonte acrescentou que qualquer ação desse tipo deve acontecer na próxima semana.
As declarações acontecem após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitir um ultimato de 48 horas, ameaçando intensificar ações contra Teerã, caso o país não consiga fechar um acordo ou liberar o Estreito de Ormuz.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
*Com AFP e CNN Internacional
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



