Guerra no Oriente Médio: Argentina expulsa encarregado de negócios do Irã
Decisão do país sul-americano é uma resposta a um comunicado do governo iraniano que divulgou 'acusações falsas', segundo Ministério das Relações Exteriores argentino

A guerra no Oriente Médio está gerando consequências até na América do Sul. A Argentina declarou "persona non grata" o conselheiro e encarregado de negócios interino do Irã, Mohsen Soltani Tehrani, e ordenou que ele abandone o país em um prazo de 48 horas. A decisão foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores nesta quinta-feira (2).
A medida é uma resposta a um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Irã com "acusações falsas, ofensivas e improcedentes" contra a Argentina e as autoridades do país sul-americano, explica um comunicado.
A Argentina "não tolerará agravos, nem interferências de um Estado que não cumpriu de maneira sistemática suas obrigações internacionais e que persiste em obstruir o avanço da justiça", acrescenta o texto.
O Ministério das Relações Exteriores argentino ressaltou ainda a "persistente recusa" do Irã em cooperar com a Justiça no caso do atentado contra a AMIA, assim como a violação de ordens internacionais de detenção e extradição.
A tensão entre os países persiste desde 1992, quando uma caminhonete repleta de explosivos que avançou contra a embaixada de Israel na Argentina, deixando 22 mortes e mais de 200 feridos. Dois anos mais tarde, outro ataque contra a mutual judaica AMIA matou 85 pessoas.
Na última terça-feira (31), a Argentina havia declarado a Guarda Revolucionária do Irã como "organização terrorista", uma posição alinhada com os interesses dos Estados Unidos e de Israel, aos quais o presidente Javier Milei oferece total respaldo na guerra no Oriente Médio.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (17). Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



