Papa Leão XIV celebra primeira Páscoa em meio à guerra no Oriente Médio
Pontífice fez diversos apelos pelo cessar-fogo do conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã

O papa Leão XIV se prepara para celebrar a primeira Páscoa de seu pontificado, um ano após a morte de Francisco (1936-2025), e em meio à guerra que atinge o Oriente Médio.
A Semana Santa começou, no Domingo de Ramos (28), com um clima tenso, marcado por uma nova escalada na Terra Santa: o patriarca latino de Jerusalém, o cardeal italiano Pierbattista Pizzaballa, teve a entrada no Santo Sepulcro negada pelas autoridades israelenses, o que não acontecia há "vários séculos", segundo as autoridades católicas.
Em um cenário de bombardeios diários — que registram mais de duas mil mortes — após pouco mais de um mês de guerra no Oriente Médio, Roma se prepara para receber dezenas de milhares de fiéis para as celebrações da Páscoa, a festa mais importante do calendário cristão, que recorda a morte e ressurreição de Cristo.
O dircurso que antecede a tradicional benção de "Urbi et Orbi" (à cidade e ao mundo), que será pronunciada por Leão XIV, uma mensagem geralmente de tom político que ele pronunciará no domingo (5), na Basílica de São Pedro, no Vaticano, será analisado à luz da guerra e das devastadoras consequências humanas e econômicas.
O pontífice norte-americano realizou diversos apelos pela paz e condenou o papel dos Estados Unidos, país natal de Leão XIV, no Oriente Médio, que desencadeou o conflito ao atacar o Irã, com apoio de Israel, em 28 de fevereiro.
Entre os católicos, a lembrança do argentino Francisco permanece viva. Em 2025, a Semana Santa foi o cenário das últimas aparições públicas dele. Esgotado, o pontífice faleceu um dia após o Domingo de Páscoa, em 21 de abril, após um último encontro com a multidão na Praça de São Pedro.
No último domingo (28), por ocasião da Missa de Ramos que dá início à Semana Santa, o pontífice lamentou que "os cristãos sofram as consequências de um conflito atroz" e se vejam impedidos de "viver plenamente os ritos dos dias santos".
Da Cidade Antiga de Jerusalém, deserta e com um grande esquema de segurança, até o sul do Líbano, onde as localidades cristãs estão na linha de frente dos bombardeios israelenses, o conflito ofusca as celebrações da Páscoa entre os cristãos, cuja presença não para de diminuir na região.
"Muitos têm medo de partir e não conseguir retornar para suas casas, diante da intenção declarada de Israel de ocupar esta região", declarou à AFP o monsenhor Hugues de Woillemont, diretor-geral da 'L'Oeuvre d'Orient', organização católica que ajuda os cristãos do Oriente Médio.
Programação de Leão XIV nos próximos dias
Em Roma, as celebrações do Tríduo Pascal começarão nesta Quinta-Feira Santa (2) com a missa crismal na Basílica de São Pedro e outra no fim da tarde em São João de Latrão, uma das quatro maiores basílicas da capital italiana.
Leão XIV retomará uma tradição ao reintroduzir o "lava-pés" — que recria o gesto de Jesus com seus apóstolos — com 12 padres romanos.
A cerimônia romperá com a prática de Francisco, que havia transferido a cerimônia para um contato com detentos, migrantes ou pessoas em situação de rua para simbolizar a atenção aos marginalizados.
Na sexta-feira (3), o papa presidirá a missa da Paixão e depois participará da tradicional Via-Sacra no Coliseu romano, uma cerimônia que atrai milhares de pessoas todos os anos diante do anfiteatro iluminado.
O pontífice carregará a cruz ao longo das 14 estações que traçam o percurso de Jesus, de sua condenação à morte até seu sepultamento, segundo fontes vaticanas.
O gesto significativo foi cumprido por João Paulo II durante a primeira parte de seu longo pontificado (1978-2005) e depois por Bento XVI (2005-2013), de forma mais breve, mas Francisco não o havia retomado, em particular por razões de saúde.
No Sábado Santo (4), será celebrada a Vigília Pascal na Basílica de São Pedro, com a bênção do círio pascal, um rito repleto de símbolos que representa a passagem das trevas para a luz.
Leão XIV iniciará o Tríduo com as atenções voltadas para sua primeira grande viagem internacional, que o levará de 13 a 23 de abril à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
*Com AFP
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



