EUA atacam ilha iraniana em primeira ofensiva em um mês
Ação destruiu lançadores em rota marítima vital e provocou ameaça de punição por parte da Guarda Revolucionária Islâmica

Forças dos Estados Unidos atacaram, neste domingo (30), a ilha de Larak, localizada ao largo da costa de Bandar Abbas, no Irã. Este é o primeiro ataque desde que o presidente americano, Donald Trump, suspendeu a campanha militar renovada no final de julho.
O capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA, afirmou ter atacado dois lançadores iranianos da ilha.
Em resposta, Forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou que o ataque matou várias pessoas e prometeu “resposta e punição”. Segundo a agência de notícias iraniana Tasnim, ligada ao IRGC, duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas.
A ilha de Larak fica próxima ao porto de Bandar Abbas e está situada exatamente no Estreito de Ormuz, uma via navegável vital para o transporte marítimo global.
Atualmente, o Irã obriga o tráfego de petroleiros a passar por essa ilha para inspeção e, segundo relatos, exige que as embarcações paguem US$ 2 milhões (R$ 10,429 milhões) para atravessar.
Hossein Mohebbi, porta-voz do IRGC, classificou o ataque como um "erro estratégico e fatal do regime de Trump" e afirmou que o "inimigo pagará as consequências desse erro de cálculo, tanto na esfera econômica quanto na militar".
Trump disse na semana passada que todas as minas colocadas pelo Irã no Estreito de Ormuz, como parte de seus esforços para bloquear a rota, haviam sido detonadas ou removidas. Ele afirmou que o Irã foi avisado de que qualquer navio ou barco que lançasse novas minas seria destruído.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, descreveu a afirmação de Trump como uma manobra de propaganda enganosa.
Histórico
O Irã enfrenta uma nova pressão econômica depois que Washington anunciou uma nova campanha de sanções, em 24 de agosto, com o objetivo de isolar ainda mais Teerã e ampliar as sanções secundárias contra seus aliados.
Os EUA e Israel lançaram ataques de grande alcance contra o Irã em 28 de fevereiro; em resposta, o Irã atacou Israel, bases dos EUA e países aliados no Golfo, além de efetivamente fechar o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo. A guerra envolvendo o Irã já ultrapassou a marca de seis meses de duração.
No momento, o Irã e Omã negociam para restabelecer o tráfego marítimo pelo estreito, um dos pontos de estrangulamento energético mais importante do mundo. Mediadores regionais, incluindo o Catar, apoiaram as negociações.


