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Estreito de Ormuz: veja consequências do bloqueio da passagem marítima

Irã fechou o canal, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, em represália aos ataques dos EUA e de Israel

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Estreito de Ormuz
Reprodução / Google Stree View e Divulgação / MARINHA REAL TAILANDESA / AFP

O Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo, está praticamente paralisado pela guerra no Oriente Médio.

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel começaram a bomberdear o Irã. O país persa, em represália, ataca bases militares norte-americanas na região, instalações israelenses e restringe o acesso ao Estreito de Ormuz. A via é o caminho de escoamento para 20% do Gás Natural Liquefeito (GNL) negociado no planeta. Além disso, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam, em condições normais, pela passagem diariamente

O fechamento do Estreito de Ormuz afeta diretamente a economia mundial, visto que a maioria do fluxo atual está impedida de transitar no local. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço da gasolina chegou a US$ 3,72 por galão, em média, de acordo com a Associação Automobilística Americana (em inglês: American Automobile Association). Este é o preço mais alto do combustível comum desde 7 de outubro de 2023.

Além do prejuízo econômico, o fechamento do Estreito de Ormuz trouxe consequências no transporte marítimo e ataques contra embarcações, com desaparecimentos, feridos e mortes. Veja abaixo os reflexos que se destacaram: 

Petróleo

Analistas de commodities do banco JPMorgan afirmaram, em um relatório publicano na última semana, que a maior parte do petróleo que passa pelo estreito tem destino à Ásia, principalmente à China. O editor para Ásia-Pacífico da Lloyd's List, Cichen Shen, apontou que há indícios de que as autoridades chinesas estão trabalhando em "algum tipo de plano de saída" para seus grandes petroleiros retidos na região.

Ainda segundo os analistas do JPMorgan, 98% do tráfego de petróleo através do estreito é iraniano, com uma média de 1,3 milhão de barris diários "no início de março". O fechamento do Estreito de Ormuz elevou o preço do combustível para navios em cerca de 90% desde o início do conflito, segundo dados do observatório do setor Ship and Bunker.

A Clarkson PLC, uma fornecedora de serviços de transporte marítimo, indicou que o custo para transportar um barril de petróleo bruto duplicou para US$ 10 (cerca de R$ 52,80) desde o início do ano. Os aumentos atingiram um nível que não se via desde 2022, quando a Rússia lançou sua invasão à Ucrânia.

Transporte marítimo

Em condições normais, o canal costuma registrar cerca de 120 travessias diárias, segundo o portal de inteligência da indústria naval Lloyd’s List. Desde o fechamendo do Estreito de Ormuz houve uma queda de 95% do transporte marítimo.

De 1º a 21 de março, os navios de carga de matérias-primas realizaram apenas 124 travessias, segundo a empresa de análise Kpler, o que representa uma queda de 95%. Destas, 75 foram realizadas por petroleiros e navios gaseiros, e a maioria navegava para leste, saindo do estreito.

Ataques

Desde 1º de março de 2026, 24 embarcações comerciais, incluindo 11 petroleiros, foram atacados ou comunicaram incidentes no Golfo, no Estreito de Ormuz ou no Golfo de Omã, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO.

Se forem incluídos outros tipos de embarcações, é preciso somar quatro ataques reivindicados pela Guarda Revolucionária do Irã, mas que não foram confirmados pelas autoridades internacionais.

Desde que o conflito começou, pelo menos oito marinheiros ou trabalhadores portuários morreram em incidentes na região, segundo a Organização Marítima Internacional (OMI). Outros quatro seguem desaparecidos e dez ficaram feridos.

Navios sancionados

Cerca de 50 navios foram sancionados desde que começou a guerra. O número significa que mais de 40% dos navios que passam pelo estreito foram submetidos a sanções dos Estados Unidos, da União Europeia ou do Reino Unido, segundo uma análise da AFP com base em dados de trânsito. Dos petroleiros e gaseiros, 56% estavam sob sanções.

*Com informações da AFP 

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.