Equador suspende aulas após invasão a TV ao vivo e fuga de líder de facção da prisão
Inicialmente, o governo havia comunicado a suspensão das aulas presenciais em três cidades, mas decidiu ampliar a decisão para todo o país; medida vale até 12 de janeiro

O Ministério da Educação do Equador suspendeu, nesta terça-feira (9), as aulas presenciais em todas as unidades de ensino do país até 12 de janeiro. A medida foi tomada após homens armados invadirem os estúdios de um canal de televisão durante uma transmissão ao vivo, nesta tarde. As informações são do jornal "El Universo".
Inicialmente, o governo havia comunicado a suspensão das aulas em três cidades equatorianas: Guayaquil, Durán e Esmeraldas. Porém, horas depois do comunicado, o Ministério da Educação decidiu estender a suspensão a nível nacional. A Carteira de Educação também estabeleceu que os funcionários das instituições de ensino trabalhassem em regime remoto durante o período.
Além do ataque nas instalações da "TC Televisión", imagens compartilhadas nas redes sociais mostram uma suposta invasão à Universidade de Guayaquil. Vídeos mostram uma correria no local, porém a polícia equatoriana ainda não confirmou a ocorrência.
'Conflito armado interno'
Nesta terça, o presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou que o país está em “conflito armado interno”. A medida tem o objetivo de enfrentar grupos de narcotraficantes e “neutralizar” organizações criminosas que impõem uma nova onda de terror no país.
“Assinei o decreto executivo declarando Conflito Armado Interno” e “ordenei às Forças Armadas executar operações militares para neutralizar esses grupos”, escreveu o presidente no X (antigo Twitter).
Na segunda-feira (8), Noboa havia declarado estado de exceção por 60 dias em resposta a uma onda de violência com policiais sequestrados, fuga de presos, ataques à imprensa e motins em presídios. A medida inclui um toque de recolher de seis horas, entre 23h e 5h, horário local (das 01h às 07h em Brasília).
A declaração de estado de exceção também permite que as Forças Armadas intervenham no sistema prisional. Na última semana, o presidente anunciou que construirá dois presídios de segurança máxima nas províncias de Pastaza (leste) e Santa Elena (sudoeste).
Fuga de criminosos
De acordo com o presidente do Equador, os ataques dos últimos dias têm o objetivo de “recuperar o controle” dos presídios. A fuga da prisão de Adolfo Macías, conhecido como “Fito”, chefe da principal quadrilha criminosa conhecida como Los Choneros, desencadeou a crise no domingo. O Ministério Público acredita que funcionários do presídio tenham facilitado a fuga do criminoso.
Nesta terça-feira, as autoridades relataram a fuga de outro líder do tráfico: Fabricio Colón Pico, um dos líderes de Los Lobos, preso na sexta-feira pelo crime de sequestro e sua suposta responsabilidade em um plano para assassinar a procuradora-geral.
Onda de violência
Há dois dias, o país sul-americano vive noites de terror. Sete policiais foram sequestrados durante o estado de exceção ordenado pelo governo na segunda-feira, em meio a um surto de violência ligado ao narcotráfico.
Aos sequestros dos agentes se somam explosões em Esmeraldas (nordeste e perto da fronteira com a Colômbia), uma das províncias equatorianas controladas por máfias. Várias pessoas lançaram um artefato explosivo perto de uma delegacia e dois veículos foram queimados em outros locais, sem deixar vítimas.
Em Quito, um veículo explodiu e um dispositivo foi detonado perto de uma ponte de pedestres. Seu prefeito, Pabel Muñoz, pediu ao Executivo a “militarização” de instalações estratégicas ante a “crise de segurança sem precedentes”.
*Com informações da AFP
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


