Entenda termo ‘terceiro mundo’, usado por Donald Trump em anúncio contra imigrantes

Presidente dos EUA anuncioua suspensão permanente da migração de todos os países do ‘terceiro mundo’; mudança ocorre após ataque perto da Casa Branca

Anúncio foi feito pelo governo Donald Trump nesta quinta-feira (27)

O termo “terceiro mundo”, usado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para anunciar a suspensão permanente da migração de pessoas de determinados países não é mais usado na geopolítica. A afirmação é da professora do curso de Relações Internacionais do UniBH, Andréa Resende.

Em entrevista à Itatiaia, a docente afirmou que a descrição carrega uma dotação “muito preconceituosa”. “Ele era usado lá no final das décadas de 40 e 50 para descrever, justamente, os países do Sul Global, os países emergentes. E, esse termo, com o passar do tempo, foi sendo substituído por outros”, disse a professora.

Restrição e populismo

As recentes declarações de Trump foram feitas após um cidadão afegão ter sido acusado de atirar contra dois membros da Guarda Nacional no centro Washington, perto da Casa Branca. O tiroteio causou a morte da soldado Sarah Beckstrom, de 20 anos.

Segundo Resende, a fala do republicano reforça a política central de seu mandato, que é a restrição de imigração, especialmente de nações do “Sul Global”.

“Os imigrantes são tidos como os grandes vilões da falta de emprego. Essa atitude do Trump é um populismo, uma política imediatista de fazer um milagre”, apontou a professora.

Para a especialista, o verdadeiro problema nos EUA não é a tomada de empregos, mas a falta de mão de obra disposta a trabalhar por salários baixos, o que é feito por imigrantes à margem da sociedade.

“A falta de mão de obra imigrante já gerou problemas em setores como a colheita de laranja na Flórida”, relembrou sobre o surto de Greening, transmitido pelo inseto psilídeo-asiático-dos-cítricos (ACP) que desencadeou na menor safra de laranjas em décadas do estado.

Intensificação das deportações e ‘tolerância zero’

Resende avalia que, após a declaração, a expectativa é de uma intensificação da política não apenas de restrição à entrada, mas também de pró-deportação. Ela apontou para uma “tolerância zero”, onde até mesmo pessoas em processo de cidadania ou com longo tempo de permanência no país estão sob risco.

“O que me preocupa é a onda de preconceito, contra pessoas de origem hispânica, latina (incluindo brasileiros) e muçulmana que vivem nos Estados Unidos, independente de seu status migratório ou local de nascimento”, afirmou a professora.

A professora lembrou que “o Estados Unidos foi construído por imigrantes”, e que o cenário atual é delicado, podendo servir de “estopim” para novos protestos. No entanto, o fato de o prefeito da cidade mais importante do país, Nova York, ser muçulmano pode ser um ponto de equilíbrio.

Países afetados

Na última quinta-feira (27), Trump já havia pedido a revisão de Green Cards concedidos a estrangeiros de 19 países. São eles:

  • Afeganistão
  • Chade
  • Congo
  • Eritreia
  • Guiné Equatorial
  • Haiti
  • Irã
  • Iêmen
  • Líbia
  • Mianmar
  • Somália
  • Sudão
  • Burundi
  • Cuba
  • Laos
  • Serra Leoa
  • Togo
  • Turcomenistão
  • Venezuela
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Rebeca Nicholls é estagiária do digital da Itatiaia com foco nas editorias de Cidades, Brasil e Mundo. É estudante de jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNIBH). Tem passagem pelo Laboratório de Comunicação e Audiovisual do UniBH (CACAU), pela Federação de Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg) e pelo jornal Estado de Minas

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