O termo “terceiro mundo”, usado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para anunciar a
Em entrevista à Itatiaia, a docente afirmou que a descrição carrega uma dotação “muito preconceituosa”. “Ele era usado lá no final das décadas de 40 e 50 para descrever, justamente, os países do Sul Global, os países emergentes. E, esse termo, com o passar do tempo, foi sendo substituído por outros”, disse a professora.
Restrição e populismo
As recentes declarações de Trump foram feitas após um cidadão afegão ter sido acusado de atirar contra dois membros da Guarda Nacional no centro Washington, perto da Casa Branca. O
Segundo Resende, a fala do republicano reforça a política central de seu mandato, que é a restrição de imigração, especialmente de nações do “Sul Global”.
“Os imigrantes são tidos como os grandes vilões da falta de emprego. Essa atitude do Trump é um populismo, uma política imediatista de fazer um milagre”, apontou a professora.
Para a especialista, o verdadeiro problema nos EUA não é a tomada de empregos, mas a falta de mão de obra disposta a trabalhar por salários baixos, o que é feito por imigrantes à margem da sociedade.
“A falta de mão de obra imigrante já gerou problemas em setores como a colheita de laranja na Flórida”, relembrou sobre o surto de Greening, transmitido pelo inseto psilídeo-asiático-dos-cítricos (ACP) que desencadeou na menor safra de laranjas em décadas do estado.
Intensificação das deportações e ‘tolerância zero’
Resende avalia que, após a declaração, a expectativa é de uma intensificação da política não apenas de restrição à entrada, mas também de pró-deportação. Ela apontou para uma “tolerância zero”, onde até mesmo pessoas em processo de cidadania ou com longo tempo de permanência no país estão sob risco.
“O que me preocupa é a onda de preconceito, contra pessoas de origem hispânica, latina (incluindo brasileiros) e muçulmana que vivem nos Estados Unidos, independente de seu status migratório ou local de nascimento”, afirmou a professora.
A professora lembrou que “o Estados Unidos foi construído por imigrantes”, e que o cenário atual é delicado, podendo servir de “estopim” para novos protestos. No entanto, o fato de o prefeito da cidade mais importante do país, Nova York, ser muçulmano pode ser um ponto de equilíbrio.
Países afetados
Na última quinta-feira (27), Trump já havia pedido a revisão de Green Cards concedidos a estrangeiros de 19 países. São eles:
- Afeganistão
- Chade
- Congo
- Eritreia
- Guiné Equatorial
- Haiti
- Irã
- Iêmen
- Líbia
- Mianmar
- Somália
- Sudão
- Burundi
- Cuba
- Laos
- Serra Leoa
- Togo
- Turcomenistão
- Venezuela