Entenda como o Irã preservou o corpo de Ali Khamenei para funeral quatro meses após a morte
Porta-voz iraniano afirmou que os corpos de Khamenei e familiares deles haviam sido preservados conforme as normas da religião; tradição proíbe embalsamento

Ali Khamenei, líder supremo do Irã morto em um ataque comandado pelos Estados Unidos e Israel, em fevereiro, foi sepultado na última quinta-feira (9), na cidade sagrada de Mashhad. O corpo do aiatolá, e de familiares que também morreram no ataque, foi preservado por quatro meses.
A prática não é comum pela tradição islâmica que, normalmente, prevê que o funeral acontece poucos dias após a morte. Entretanto, no início do mês de março, autoridades iranianas autorizaram o adiamento da cerimônia por questões de logística e segurança. Com isso, o funeral só foi anunciado oficialmente no começo de junho, quase dois meses após o início do cessar-fogo entre os países — que foi rompido por Donald Trump na última semana.
As cerimônias começaram no dia 4 de julho e reuniram milhões de pessoas, segundo divulgado pela imprensa local. Antes do início das homenagens, o porta-voz do comitê organizador, Iman Attarzadeh, afirmou que os corpos haviam sido preservados conforme as normas da religião:
"Anunciamos que os corpos de nosso imã mártir e de seus familiares mártires, após terem recebido todo o respeito e cuidado necessários, foram preservados até agora em conformidade com as normas religiosas e legais",disse. Attarzadeh.
Porém, o porta-voz não deu detalhs sobre como os corpos estavam sendo preservador. A tradição islâmica proíbe mutilações nos corpos após a morte. Por isso, o embalsamento químico é proibido ou fortemente desencorajado. Especialistas indicam que o mais provável é que o corpo de Khamenei tenha sido mantido em uma câmara frigorífica até o sepultamento.
Sobre a demora para acontecer o funeral, a lei islâmica xiita permite, em situações excepcionais, adiar o enterro e preservar o corpo por meio de refrigeração.

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



