Governo Milei decreta sigilo à compra de armas para as Forças Armadas após polêmicas
A Argentina impôs sigilo à compra de equipamentos militares em meio a tensões com o Reino Unido pela soberania das Ilhas Malvinas, com o presidente Javier Milei assinando o decreto.

O governo da Argentina impôs sigilo à compra de equipamentos para as Forças Armadas do país, uma medida que ocorre em meio ao aumento das tensões com o Reino Unido sobre a soberania das Ilhas Malvinas. O decreto, assinado pelo presidente Javier Milei e pelo ministro da Defesa Carlos Presti, limita o acesso a informações sobre o tipo, custo e fornecedor do material militar, segundo informações da TN, afiliada da CNN.
A determinação argentina, publicada no Diário Oficial, impede o conhecimento de "qualquer notícia, relatório material, projeto, trabalho, fato ou assunto que, no interesse da segurança nacional e de seus meios de defesa, deva ser conhecido apenas por pessoas autorizadas e mantido fora do conhecimento de qualquer outra pessoa", conforme regulamentos citados pela TN.
O artigo de uma lei mencionada na resolução ressalta que a finalidade da Defesa Nacional é "garantir permanentemente a soberania e a independência da Nação Argentina, sua integridade territorial e capacidade de autodeterminação, e proteger a vida e a liberdade de seus habitantes".
O ministério da Defesa argentino justificou a medida afirmando que o processo de aquisição de material e equipamento tem características que exigem sigilo. A divulgação das informações poderia "comprometer a segurança nacional e os meios de defesa da Nação".
A imposição do sigilo acontece enquanto tropas britânicas realizam treinamentos para uma possível retomada das Ilhas Malvinas em caso de uma invasão argentina. Mais de 100 soldados, juntamente com reservistas locais, participaram de um exercício de seis dias na região no início deste mês, segundo noticiou o jornal The Times.
O treinamento simulou acontecimentos da invasão argentina de 1982 e incluiu uma caminhada noturna de 32 quilômetros e um ataque anfíbio. O comandante da companhia, major Nunkoosing, disse ao The Times que o exercício ofereceu aos soldados "a oportunidade de seguir os passos de nossos antepassados e ter uma pequena ideia do que eles enfrentaram para alcançar a vitória em 1982".
A Argentina reivindica a soberania sobre as ilhas, alegando que herdou o território da Espanha após a independência em 1816 e que o Reino Unido assumiu o controle em 1833 por meio de um ato colonial ilegal. Por sua vez, o Reino Unido justifica sua posse com o argumento de que os habitantes das ilhas têm o direito de decidir seu próprio futuro.
Historicamente, em abril de 1982, o governo militar argentino, liderado por Leopoldo Galtieri, ordenou a invasão das ilhas, acreditando que o governo britânico não responderia com força militar. Contudo, a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa naval e recuperou o controle após 74 dias de combates. A Argentina rendeu-se em junho de 1982, e a derrota acelerou a queda da junta militar no país sul-americano.
Ao todo, 649 argentinos morreram nos combates, assim como 255 militares britânicos e três habitantes das Ilhas Malvinas.
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