Apostador lucra quase 1 mi de dólares ao apostar em ações militares dos EUA
Ação chamou a atenção de empresas norte-americanas sobre 'insider trading', que consiste em apostar ou investir com informações privilegiadas

Um apostador anônimo chamou a atenção de empresas norte-americanas ao lucrar quase 1 milhão de dólares (R$ 5,25 milhões, na cotação atual) com apostas corretas sobre ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Segundo uma análise obtida pela CNN, o homem acertou 93% das apostas sobre o Irã. A maioria das "previsões" eram sobre operações militares não anunciadas em Teerã.
O apostador, que não foi identificado, tinha um padrão de apostas certeiras. Ele, inclusive, "previu" os ataques israelenses contra o Irã em outubro de 2024 e também os bombardeios dos EUA contra instalações nucleares iranianas em 2025. Como o esperado, ele acertou também o ataque contra Teerã no dia 28 de fevereiro, que deu início ao conflito no Oriente Médio.
Os acertos excessivos das apostas chamaram a atenção da Bubblemaps, empresa que rastreia transações em blockchain (serviço de registro de transações). O CEO da empresa, Nick Vaiman, afirmou à CNN que os acertos indicam "insider trading", que é o uso de informações privilegiadas para negociar ações ou, nesse caso, fazer apostas.
A Bubblemaps não conseguiu localizar o apostador, que utilizava conas anônimas e irrastreáveis.
As apostas foram feitas na Polymarket, um site onde podem ser feitas apostas sobre qualquer assunto. O site não é permitido nos EUA, mas pode ser acessados com o uso de VPN (Rede Privada Virtual).
Para um professor de finanças da Universidade Estadual da Geórgia, ou o apostador tem uma "sorte incrível" ou usava informações privilegiadas. Em geral, a maioria dos operadores têm uma taxa de acerto um pouco acima de 50%. Já o apostador iraniano teve uma taxa geral de 83% e de 93% para apostas acima de 10 mil dólares. O lucro total foi de quase 967 mil dólares, o que equivale a R$ 5,05 milhões.
A maioria das apostas foram feitas horas antes das atividades militares dos países, mas algumas foram realizadas dias antes, o que indica mais ainda que o apostador teria informações privilegiadas, segundo o professor.
As empresas citadas não se pronunciaram até o momento.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.



