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Entenda quais são as condições dos EUA para encerrar guerra com Irã

Possível negociação em busca do fim do conflito no Oriente Médio pode ocorrer entre os países; governo iraniano nega

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Um trabalhador remove os destroços após um ataque a uma delegacia de polícia no centro de Teerã, em 4 de março de 2026
Conflito no Oriente Médio perdura há quase um mês e afeta diversos países • AFP

Representantes dos Estados Unidos informaram que um plano de paz foi enviado ao Irã a fim de encerrar o conflito no Oriente Médio, que já dura cerca de um mês. Os detalhes da possível proposta foram revelados pelas imprensas americana e israelense nessa terça-feira (24).

Segundo o jornal estadunidense "The New York Times", a proposta foi encaminhada ao Irã por intermédio do Paquistão. Ainda não está claro se Israel participou da elaboração ou se concorda com o plano. O Canal 12, israelense, disse que o acordo prevê um cessar-fogo de 30 dias para negociações.

Por sua vez, o "The Wall Street Journal" afirmou que mediadores da Turquia, Egito e Paquistão estão costurando um encontro entre autoridades dos EUA e do Irã para quinta-feira (26). Ainda não se sabe se autoridades iranianas aceitariam os termos propostos pelos americanos.

Segundo a imprensa estrangeira, o plano de paz dos Estados Unidos tem 15 pontos e envolve os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã. Um possível rascunho obtido pelo Canal 12 aponta que, entre as exigências dos EUA, estão:

  • O compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares;
  • A limitação do alcance e da quantidade de mísseis;
  • A desativação das usinas de enriquecimento de urânio de Natanz, Isfahan e Fordow;
  • O fim do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah;
  • A criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.

O "Wall Street Journal" afirma que os Estados Unidos ofereceram suspender as sanções econômicas impostas ao Irã no contexto do programa nuclear. Os norte-americanos também disseram que podem auxiliar e monitorar o programa nuclear civil, com fins pacíficos.

Ainda segundo o jornal, o plano segue, em linhas gerais, o que os Estados Unidos já defendiam nas negociações antes do início da guerra, em 28 de fevereiro. Por outro lado, o Irã pode exigir reparação pelos bombardeios recentes.

Irã contradiz Estados Unidos

Uma conta do X, antigo Twitter, atribuída a Mohammad-Bagher Ghalibaf publicou que nenhuma negociação ocorreu com os EUA, chamando tudo de "fake news" para manipular os mercados de petróleo.

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Um funcionário de alto escalão do Ministério das Relações Exteriores iraniano disse à rede americana CBS News que o país recebeu "pontos [para um acordo] dos EUA por meio de mediadores e eles estão sendo analisados". A CBS noticiou que isso seria um passo anterior a negociações e que não há nenhuma negociação confirmada em andamento.

Alguns veículos de imprensa publicaram que o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro de Trump e conhecido por ser seu conselheiro, estariam negociando com Mohammad-Bagher Ghalibaf.

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.