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O que são as cidades de mísseis do Irã? Entenda infraestrutura

Escavadas sob centenas de metros de rocha nas cordilheiras de Zagros e Alborz, instalações militares descentralizadas garantem a sobrevivência do arsenal balístico iraniano contra ataques preventivos

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Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei
Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei • Reprodução / Redes Sociais

As cidades de mísseis do Irã são vastos ecossistemas militares subterrâneos esculpidos diretamente nas formações de calcário e granito das montanhas do país. Projetadas para abrigar mísseis balísticos, drones e caças de combate, essas instalações garantem o que a doutrina militar chama de "profundidade estratégica": a capacidade de absorver um ataque aéreo maciço e manter o poder de retaliação intacto.

Ao esconder seu arsenal primário sob centenas de metros de rocha sólida, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) torna obsoleta a maioria das munições convencionais, forçando adversários a dependerem de armamentos antibunker altamente especializados e de táticas complexas de bombardeio.

Fortalezas geológicas iranianas

Longe de serem meros depósitos logísticos, essas bases funcionam como guarnições autossuficientes. Para compreender onde ficam as cidades de mísseis subterrâneas do Irã e como elas são protegidas contra ataques aéreos, é necessário analisar o território persa. A espinha dorsal dessa rede repousa sob as imponentes cordilheiras de Zagros, no oeste e sul, e Alborz, no norte do país.

Os túneis internos ultrapassam frequentemente os 15 metros de altura para acomodar Veículos Lançadores Eretores (TELs) de grande porte, responsáveis por disparar mísseis balísticos como o Emad e o Khyber Shekan. O ambiente interno é mantido por sistemas industriais autônomos que incluem:

  • Matrizes descentralizadas de geração de energia elétrica;
  • Plantas de purificação e filtragem de água subterrânea;
  • Sistemas de purificação de ar projetados para isolar as tropas de ataques químicos;
  • Alojamentos militarizados que permitem a sobrevivência das equipes por meses sem contato com o exterior.

A rocha natural atua como uma blindagem intransponível para satélites de reconhecimento térmico e radares de penetração no solo tradicionais, criando um ponto cego para a inteligência de sinais das forças armadas ocidentais.

O Radar de Penetração no Solo (GPR) tradicional perde eficácia após algumas dezenas de metros. Atualmente, agências como a DARPA norte-americana desenvolvem programas experimentais de "tomografia de múons" (MuS2) — o uso de partículas de raios cósmicos de alta energia — para tentar mapear os vazios estruturais dentro do granito maciço.

Além disso, as bases possuem sistemas de lançamento duplo. Alguns mísseis são disparados diretamente de grandes silos verticais ocultos no topo das montanhas. A maioria, contudo, é movimentada por pesados caminhões TEL através das rampas de saída apenas no momento exato do disparo, retornando imediatamente para as profundezas para evitar a detecção via satélite.

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Pablo Paixão é graduado em Jornalismo, pela UFMG, e em Cinema e Audiovisual, pelo Centro Universitário UNA BH. Tem experiência em diferentes áreas da comunicação e marketing. Com passagem pela TV UFMG, na Itatiaia atuou inicialmente nas editorias de Entretenimento, Cultura e Minas Gerais. Atualmente, colabora com as editorias Pop e Carnaval.